sexta-feira, 29 de julho de 2011

Bem vindo ao mundo dos clichês

Quase todo mundo sabe o que é clichê na literatura: frases que de tão repetidas já as conhecemos de cor. E não há nada mais anti-criativo do que usá-las em uma obra de arte.  A palavra clichê se origina do francês e significa uma peça para impressão em série.

Em sua expressão primeira a frase clichê foi uma explosão de criatividade. Seu uso demasiado fez com que perdesse a originalidade e se tornasse simplesmente "clichê". Salvador Dali resume de maneira inteligente essa idéia: "O primeiro homem a comparar as bochechas de uma jovem mulher com uma rosa foi obviamente um poeta; o primeiro que repetiu essa comparação foi provavelmente um idiota".

Não existem somente frases clichês, há também atitudes, modismos e, principalmente personagens clichês. 

J.V.Jones, escritora de ficção, no livro "The Complete Handbook of Novel Writing" menciona vários personagens clichês que qualquer autor de bom senso deveria evitar. Infelizmente esses personagens continuam aparecendo em vários romances pelas prateleiras das livrarias.

Eis aqui uma interessante lista de personagens clichês:
  • O líder religioso de sangue quente determinado a destruir qualquer idéia nova;
  • O chefe mau de uma mega companhia que não se importa com o meio ambiente, seus empregados ou os habitantes de sistema solar mais próximo;
  • O cientista que não consegue ver o perigo que seu projeto representa;
  • O bravo, porém misterioso, aventureiro que no final é um nobre há muito tempo considerado desaparecido;
  • O visitante mal compreendido que necessita de ajuda para retornar para casa;
  • O líder militar sanguinário para quem os fins justificam os meios;
  • A figura autoritária especialmente estúpida que recusa qualquer opinião que não seja a dela própria e que por isso se torna responsável por todos os problemas da história;
  • O rei ou líder bonzinho mas sem cérebro que só ouve criaturas autoritárias estúpidas;
  • O nobre malvado que exala somente maldade;
  • O irmão mais novo que tem um bom coração e sabe o que é certo mas é sempre mal compreendido;
  • Qualquer um tremendamente bonito
E, para finalizar, algumas frases e expressões clichês bem conhecidas:
  • Não deixe para depois o que pode fazer hoje 
  • Selva de pedra
  • Não há lugar melhor que a casa da gente
  • Brincadeira de criança
  • Chovem gatos e cachorros
Evitar clichês é algo que todo autor tenta fazer em seu trabalho, entretanto, usar o clichê para criar um personagem com uma característica atípica é uma forma interessante de transformar o lugar comum em algo bem especial.

Até a próxima
Stanze

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Cozinhando a criação

Se podemos comer com os olhos, com certeza o processo de criar uma obra de arte é comparável ao preparo de uma deliciosa comida.

Procura-se primeiro a receita e em que culinária ela se encaixa. Do assunto surge o tema. É bom ler também outras receitas, e misturar tudo, pois daí nasce a inspiração. Vai-se então à busca dos ingredientes e moldam-se os personagens. Coloca-se na panela e da pena surgem as palavras.

Da culinária popular criam-se as lendas e os folclores. Suas receitas simples são passadas de boca em boca e geração em geração, muitas vezes sem ir ao forno ou tocar no papel. Da rapidez dos fast food se produzem os contos, as crônicas e os ensaios. Apesar de pequenos e rápidos têm um sabor próprio.Mas é da paciência do slow food que surgem os grandes romances. O tempo necessário para o cozimento da obra apura os sabores dos personagens e intensifica o palato da história.

Os temperos criam os diálogos e as descrições, que devem ser colocados com cuidado para não desandar. A preparação do prato é essencial e deve provocar saliva nos olhos do leitor com sua produção final.

Para a sobremesa nada melhor do que uma deliciosa poesia: leve, doce e absorvente. Coloca-se no fogo e espera-se rimar. E o segredo essencial é sempre, sempre, provar e revisar.

Entrega-se por fim a criação aos gourmets. E deles se espera a aprovação final. Com sorte e talento nossa arte é exibida em várias prateleiras e devorada por ávidos olhos. Do paladar dos leitores surge a premiação do mestre. O prato vazio e a página fechada com a saudade ainda nos lábios do que se acabou de provar. Depois, é só retornar à cozinha e começar tudo de novo, com novas receitas e novos recheios.

Até a próxima e bom apetite,
Stanze

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Liberdade, liberdade

Um dos temas que mais tem inspirado autores é a liberdade. A liberdade em todas as suas formas e faces é retratada em várias artes: literatura, pintura, escultura, filmes, etc. Esse tema é - e sempre será forte - porque é inerente do ser humano e, em cada local ou momento em que a liberdade é atacada, surge um conflito que gera palco para grandes atos e consequentemente grandes histórias.

Quando se fala em liberdade pode-se citar milhares de exemplos ao longo da história até os dias de hoje: as guerras de independência, as lutas contra a escravidão, a opressão existente, principalmente contra a mulher, nos países muçulmanos, a luta pela simples expressão na era comunista, e por aí vai. De homens a animais, da repressão física à psicológica, nenhum ser vivo foi criado para ter as suas asas cortadas e ter seus limites determinados por outrem.

Grandes exemplos na literatura e no cinema estão presentes em "Como era Verde o meu Vale", de Richard Llewellyn, que fala da repressão social causada pelo trabalho semi escravo nas minas de carvão; "Negras Raízes", de Alex Haley, sobre a escravidão negra; "Cry Freedom", filme dirigido por Richard Attenborough, sobre o apartheid na África do Sul; e vários outros.

A minha infância foi em grande parte influenciada pela literatura. Um dos poemas que até hoje me fazem arrepiar por ser um grito à liberdade representado de maneira fantástica pela pena de Olavo Bilac, - e que fez com que eu jamais gostasse de um pássaro preso em gaiola -, foi O Pássaro Cativo.

Por isso, termino o Inspiracionando de hoje com o grito de liberdade do pássaro de Olavo Bilac:

Armas, num galho de árvore, o alçapão
E, em breve, uma avezinha descuidada
Batendo as asas cai na escuridão.


Dás-lhe então, por esplêndida morada,
A gaiola dourada.
Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos, e tudo.
Porque é que, tendo tudo, há de ficar o passarinho mudo,
Arrepiado e triste, sem cantar?


É que, criança, os pássaros não falam.
Só gorjeando a sua dor exalam,
Sem que os homens os possam entender;
Se os pássaros falassem,
Talvez os teus ouvidos escutassem 
Este cativo pássaro dizer:


'Não quero o teu alpiste!
Gosto mais do alimento que procuro
Na mata livre em que a voar me viste;
Tenho água fresca num recanto escuro
Da selva em que nasci;
Da mata entre os verdores,
Tenho frutos e flores,
Sem precisar de ti!
Não quero a tua esplêndida gaiola!
Pois nenhuma riqueza me consola
De haver perdido aquilo que perdi...
Prefiro o ninho humilde, construído
De folhas secas, plácido e escondido
Entre os galhos das árvores amigas...
Solta-me ao vento e ao sol!
Com que direito à escravidão me obrigas?
Quero saudar as pompas do arrebol!
Quero, ao cair da tarde,
Entoar minhas tristíssimas cantigas!
Porque me prendes? Solta-me, covarde!
Deus me deu por gaiola a imensidade;
Não me roubes a minha liberdade...
Quero voar! voar! ...'


Estas coisas o pássaro diria,
Se pudesse falar.
E a tua alma, criança, tremeria,
Vendo tanta aflição;
E a tua mão, tremendo, lhe abriria
A porta da prisão...
 
Até a próxima,
Stanze

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Paraprosdokian frases

Encontrei a inspiração para o artigo de hoje através de um e-mail enviado por um amigo sobre paraprosdokian frases. Sentenças ou frases paraprosdokian são figuras de linguagem em que a segunda parte complementa a primeira de forma contraditória ou cômica.

O termo tem origem grega e significa "além das expectativas". Por seu caráter irônico esse tipo de frase é comumente usado em comédias. Muito embora o termo não seja tão conhecido em português ele existe tecnicamente como figura de linguagem.

A maioria dos exemplos se encontra na língua inglesa, mas, baseado no conceito acima eu poderia criar as seguintes frases paraprosdokian:
 "Quem tudo quer nada tem, também, se tivesse não havia de querer";
 "Quem com ferro fere, com ferro será ferido, então é melhor ter a vacina anti-tétano às mãos".

Dois exemplos bem conhecidos e muito citados são:
"Copiar de um autor é plágio; copiar de vários é pesquisa"
"Porque se você disser que existem milhões de estrelas todos acreditam, mas dificilmente acreditarão se você disser que o banco está com a tinta fresca?"

Alguns outros exemplos que achei interessantes:
"Ir à igreja não fará de você um cristão, da mesma forma que ir a uma garagem não lhe transformará em carro"
"Conhecimento é saber que tomate é fruta. Inteligência é não colocá-lo na salada de frutas"
"Se eu concordasse com você, ambos estaríamos errados"
"A guerra não determina quem está certo, apenas quem sobrevive"
"Um banco é um local onde você pode pedir dinheiro emprestado, se conseguir provar que não precisa dele"
"Os golfinhos são animais tão espertos que em poucas semanas de cativeiro eles conseguem treinar pessoas a se posicionarem na beira de um aquário e lhes servir peixe"
"A luz viaja mais rápido que o som. É por isso que muitas pessoas parecem brilhantes até que comecem a falar"
"Por trás de um homem de sucesso há sempre uma mulher. Por trás de um fracasso na vida de um homem há sempre a outra mulher"
"Peça sempre dinheiro emprestado de um pessimista. Ele nunca vai esperar que você o pague"
"Um diplomata é uma pessoa que lhe manda para o inferno de uma tal maneira que você começa a esperar ansiosamente pela viagem"
"Quando você estiver tentado a combater fogo com fogo, lembre-se que o corpo de bombeiros usa quase sempre água"
"Você nunca estará velho demais para aprender alguma coisa idiota"
"Algumas pessoas ouvem vozes. Outras vêem pessoas invisíveis. E outras não possuem a menor imaginação"

Até a próxima
Stanze

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Heróis ou anti-heróis?

No último Inspiracionando eu falei sobre criar algo novo de alguma coisa já existente. E até mencionei alguns exemplos em que personagens parecidos ganham outra roupagem através da pena do escritor que os cria.

Pois bem, como estou quase terminando meu primeiro livro já comecei a buscar inspiração para o próximo. Escritores têm várias maneiras de captar a idéia que vai se tornar o enredo de um grande livro. Para o meu primeiro romance fui inspirada em uma pequena nota da revista Newsweek.  A partir do fato criei os personagens e o enredo fictício.

Desta vez eu comecei pelo personagem. Gosto de trabalhar bem próximo da realidade (pelo menos até agora, embora eu queira tentar vários estilos) e criar personagens que tenham suas fraquezas e limitações, além das qualidades positivas. Desta vez estou trabalhando em um anti-herói e buscando inspiração em vários modelos existentes por aí. Do clássico pensei imediatamente em Heathcliff de O Morro dos Ventos Uivantes, ou Dorian Grey de O Retrato de Dorian Grey. Como Heathcliff talvez meu personagem cresça pelas próprias mãos e como Dorian Grey talvez ele venda a alma ao Diabo.

Como a história será mais atual, no mundo e conceitos de hoje, corri no tempo e descobri outro exemplo bastante inspirador: Donald Draper, de Mad Men. Para quem não conhece a série, Mad Men se passa nos anos 60 e conta a história de vários executivos de uma agência de publicidade. O seriado disseca a sociedade norte-americana da época, com todos os seus clichês sobre sexualidade, machismo e cobiça, e levou-me a recordar de Peyton Place, de Grace Metalious.


Estou juntando as peças para criar meu primeiro anti-herói que, embora não seja tão "bandido" carece de alguns escrúpulos para atingir seus objetivos. Aguardem, mas enquanto isso, conheçam Don Draper:



E algumas de suas citações neste pequeno trecho já fazem dele um personagem interessantíssimo:
"Você nasce só e morre só. E este mundo faz de tudo para que você esqueça isso, mas eu não esqueço."
"Eu vivo como se não houvesse amanhã... porque não há"
"O problema não é porque as pessoas fumam, mas sim porque elas fumam Lucky Strike"
"A propaganda é baseada em uma só coisa: felicidade. E sabe o que é felicidade? Felicidade é o cheiro de um carro novo. É libertar-se do medo..."
"As mulheres querem ter escolhas, mas nenhuma quer ser uma entre cem numa caixa. Ela é única, ela faz as escolhas..."
"As pessoas necesitam demais que lhes digam o que fazer. Elas escutam qualquer um."


Até a próxima,
Stanze

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Como criar algo novo?

A idéia desse título me veio de uma fonte: um seriado de TV.

Muitas vezes quando vamos escrever sobre algo nos perguntamos: o que há mais para se criar que ainda não foi contado em termos de literatura? Minha resposta é: tudo. Quando o que escrevemos já foi de uma certa maneira escrita por outro autor o simples truque é mudar algo no personagem, na relação dele com outros personagens, na localização da história, nos anti-personagens, enfim, há várias possibilidades de criar algo inédito a partir do que já existe.

Recentemente descobri esse seriado de 2003 no Youtube. Chama-se: Veritas the Quest. Vou citar alguns elementos desse seriado que com certeza vão fazer com que se lembrem de um filme e personagem famosos. Em Veritas a trama rola em torno de um arqueólogo, professor universitário, que vai em busca de peças raras do passado. Nessa busca ele enfrenta pessoas ou grupos que querem se apoderar dos artifatos para utilizá-los como fonte de poder e opressão.

Com quem se parece esse enredo? Indiana Jones, é claro. Até a busca de uma caveira de cristal conhecida e cobiçada pelos neo-nazistas é enredo de um dos episódios do seriado. O que há de novo então? Pequenos detalhes: o professor/arqueólogo é o líder de um grupo chamado Veritas que tenta desvendar segredos da antiguidade. A relação entre o professor e seu filho adolescente também é diferente e atrai no filme. Existem outras diferenças sutis, muito embora, a grosso modo, o enredo seja muito parecido com as aventuras de Indiana.

Agora pergunto: com tantas coisas semelhantes haveria audiência para esse seriado? Parece que sim. Por ter sido lançado na época da invasão do Iraque e ter perdido o horário pelas transmissões daquela guerra nos Estados Unidos o seriado ficou somente com 13 episódios, mas a reação das pessoas na rede social é descontentamento pelo cancelamento da série.

Quando um enredo é interessante - e relações interpessoais são sempre interessantes - há leitores ávidos a ler a mesma história várias e várias vezes. Para mim, a mágica reside, acima do enredo, no personagem. Quantas e quantas histórias de policiais existem? E quantas têm um detetive como o Sargento Malcolm Ainslie, de Arthur Hailey, em Detetive?

Quantas Alices e Dorothys não existem na literatura e, mesmo assim, serem essas personagens - e tantas outras - independentes e únicas? Alice vai parar no País das Maravilhas e lá encontra personagens estranhos. Dorothy vai parar em Oz (nada a ver com a Austrália) e lá encontra personagens estranhos.

Uma pequena mudança em algo já existente pode criar um novo mundo com dimensão e características próprias. Se tiverem oportunidade (e souberem inglês) procurem Veritas the Quest no Youtube. Lá estão os 13 episódios. Vale a pena!

Até a próxima,
Stanze  

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A literatura dos tempos de sombra do Brasil

Estou lendo Diário de Fernando, coletânea dos escritos feitos pelo frade dominicano Fernando de Brito, durante sua prisão em São Paulo, de 1969 a 1973, nos cárceres sujos da repressão militar. Frade Fernando descrevia os fatos que via e vivia em pequenos pedaços de papel que fazia sair da prisão dentro de canetas esferográficas. Esses documentos valiosos do período negro do Brasil foram compilados em livro pelo frei Betto, também vítima da ditadura militar.

Essa literatura documentária que somente se tornou pública muitos anos depois do encerramento do regime militar no Brasil é testemunha fria de dores e sofrimentos impostos não somente aos chamados subversivos, mas a seus familiares, inclusive crianças de meses e idosos.

Vários outros livros/documentos sobre as sevícias sofridas pelos presos e os anos de cárcere sem julgamento ou motivo justo que não o de ser contra um regime autoritário e ousar falar e agir se tornaram provas vivas de uma verdade que o Brasil tentou esconder por muito tempo.

Quando li pela primeira vez Brasil Nunca Mais não pude acreditar que aquilo tudo era a verdade nua e crua.  Um Brasil que se tornava tri-campeão de futebol também se tornava campeão em torturas e ilegalidades. Um Brasil de duas faces, sendo uma delas sórdida e negra. Concordo que havia radicalismo de ambos os lados. Sequestros de embaixadores, mortes de pessoas, atentados e violência não eram exclusivos do regime militar. Mas nada justifica que o poder constituído usasse de seus privilégios de poder e agisse impunemente torturando e prendendo pessoas aleatoriamente.

Ainda bem que mesmo no cárcere, mesmo com dores e sofrimentos esses prisioneiros pensavam, escreviam e faziam daquela dor uma obra literária para as gerações futuras.

Termino o Inspiracionando de hoje com A Internacional,  hino socialista que servia de oração com a qual os presos políticos mantinham a força de viver e que servia de estímulo para que continuassem lutando contra as indignidades e a total ausência de direitos humanos.

De pé, ó vitimas da fome
De pé, famélicos da terra
Da idéia a chama já consome
A crosta bruta que a soterra
Cortai o mal bem pelo fundo
De pé, de pé, não mais senhores
Se nada somos em tal mundo
Sejamos tudo, ó produtores
Bem unidos façamos
Nesta luta final
Uma terra sem amos
A Internacional
Senhores, Patrões, chefes supremos
Nada esperamos de nenhum
Sejamos nós que conquistamos
A terra mãe livre e comum
Para não ter protestos vãos
Para sair desse antro estreito
Façamos nós por nossas mãos
Tudo o que a nós nos diz respeito
Bem unidos façamos
Nesta luta final
Uma terra sem amos
A Internacional
O crime de rico, a lei o cobre
O Estado esmaga o oprimido
Não há direitos para o pobre
Ao rico tudo é permitido
À opressão não mais sujeitos
Somos iguais todos os seres
Não mais deveres sem direitos
Não mais direitos sem deveres
Bem unidos façamos
Nesta luta final
Uma terra sem amos
A Internacional
Abomináveis na grandeza
Os reis da mina e da fornalha
Edificaram a riqueza
Sobre o suor de quem trabalha
Todo o produto de quem sua
A corja rica o recolheu
Querendo que ela o restitua
O povo só quer o que é seu
Bem unidos façamos
Nesta luta final
Uma terra sem amos
A Internacional
Nós fomos de fumo embriagados
Paz entre nós, guerra aos senhores
Façamos greve de soldados
Somos irmãos, trabalhadores
Se a raça vil, cheia de galas
Nos quer à força canibais
Logo verás que as nossas balas
São para os nossos generais
Bem unidos façamos
Nesta luta final
Uma terra sem amos
A Internacional
Pois somos do povo os ativos
Trabalhador forte e fecundo
Pertence a Terra aos produtivos
Ó parasitas deixai o mundo
Ó parasitas que te nutres
Do nosso sangue a gotejar
Se nos faltarem os abutres
Não deixa o sol de fulgurar
Bem unidos façamos
Nesta luta final
Uma terra sem amos
A Internacional

Até a próxima
Stanze