sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Literatura na casinha
Já vi a mesma estrutura na casa de vários amigos, inclusive na casa do meu irmão, onde a variedade de leitura vai de revistas infantis a revistas de noticiários e fofocas.
Reclama-se muito hoje em dia que os jovens pouco ou quase nada lêem. Na minha opinião, o que existe é pouco incentivo dos pais. Há muitas maneiras de se estimular a leitura desde a infância. Um amigo meu, além de comprar livros e revistas para suas filhas e ler com elas, encontrou uma maneira divertida e original para desenvolver não só nelas, mas em toda a família, o prazer da leitura. A cada semana ele seleciona artigos interessantes e educativos de jornais e prega no banheiro com fita adesiva. Recentemente eu soube que há espaço também para quebra-cabeças e palavras cruzadas que são completados gradativamente por quem frequenta a "casinha".
E, para estimular ainda mais a compreensão, o diálogo, a capacidade cognitiva e o entretenimento que a leitura traz, uma caneta está disponível para que as pessoas comentem sobre os artigos e gerem discussões e reações dos próximos frequentadores.
Há sempre uma maneira de estimular a leitura. E, quanto mais cedo ela começa, melhor!
E na sua "casinha" também há um espaço literário?
Até a próxima,
Stanze
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
O Diário de um Escritor
Vários de nós - principalmente as meninas - passaram pela adolescência escrevendo diários onde, além dos acontecimentos do dia a dia, eram registradas as emoções flutuantes de um adolescente. Diários de capas floridas, diários com chaves que guardavam segredos irreveláveis, diários de capa discreta ou com fotos de artistas. Ali as primeiras sensações do mundo eram escritas. Ali se criavam personalidades, histórias e se desenvolviam emoções.
O diário de um escritor não varia muito de um diário de adolescente. A grande diferença é que o escritor, além das emoções, também usa o diário para registrar fatos e observar o mundo à sua volta. O meu diário tem de tudo: corriqueiras descrições de passageiros em um trem, detalhes sobre um dia de sol ou de chuva, pedaços de diálogos ou trechos de uma cena desenvolvidos durante um passeio, viagem ou deslocamento ao trabalho. Algumas vezes guardo fotos ou cartões postais ou artigos de jornais ou revistas que possam servir, em algum momento, de inspiração .
Reler páginas de diários antigos é sempre uma fonte saciadora no deserto das palavras e ter às mãos um diário vira um hábito rotineiro na vida de um caçador de histórias.
Até a próxima
Stanze
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Bem vindo ao mundo dos clichês
- O líder religioso de sangue quente determinado a destruir qualquer idéia nova;
- O chefe mau de uma mega companhia que não se importa com o meio ambiente, seus empregados ou os habitantes de sistema solar mais próximo;
- O cientista que não consegue ver o perigo que seu projeto representa;
- O bravo, porém misterioso, aventureiro que no final é um nobre há muito tempo considerado desaparecido;
- O visitante mal compreendido que necessita de ajuda para retornar para casa;
- O líder militar sanguinário para quem os fins justificam os meios;
- A figura autoritária especialmente estúpida que recusa qualquer opinião que não seja a dela própria e que por isso se torna responsável por todos os problemas da história;
- O rei ou líder bonzinho mas sem cérebro que só ouve criaturas autoritárias estúpidas;
- O nobre malvado que exala somente maldade;
- O irmão mais novo que tem um bom coração e sabe o que é certo mas é sempre mal compreendido;
- Qualquer um tremendamente bonito
- Não deixe para depois o que pode fazer hoje
- Selva de pedra
- Não há lugar melhor que a casa da gente
- Brincadeira de criança
- Chovem gatos e cachorros
Até a próxima
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Cozinhando a criação
Procura-se primeiro a receita e em que culinária ela se encaixa. Do assunto surge o tema. É bom ler também outras receitas, e misturar tudo, pois daí nasce a inspiração. Vai-se então à busca dos ingredientes e moldam-se os personagens. Coloca-se na panela e da pena surgem as palavras.
Da culinária popular criam-se as lendas e os folclores. Suas receitas simples são passadas de boca em boca e geração em geração, muitas vezes sem ir ao forno ou tocar no papel. Da rapidez dos fast food se produzem os contos, as crônicas e os ensaios. Apesar de pequenos e rápidos têm um sabor próprio.Mas é da paciência do slow food que surgem os grandes romances. O tempo necessário para o cozimento da obra apura os sabores dos personagens e intensifica o palato da história.
Os temperos criam os diálogos e as descrições, que devem ser colocados com cuidado para não desandar. A preparação do prato é essencial e deve provocar saliva nos olhos do leitor com sua produção final.
Para a sobremesa nada melhor do que uma deliciosa poesia: leve, doce e absorvente. Coloca-se no fogo e espera-se rimar. E o segredo essencial é sempre, sempre, provar e revisar.
Entrega-se por fim a criação aos gourmets. E deles se espera a aprovação final. Com sorte e talento nossa arte é exibida em várias prateleiras e devorada por ávidos olhos. Do paladar dos leitores surge a premiação do mestre. O prato vazio e a página fechada com a saudade ainda nos lábios do que se acabou de provar. Depois, é só retornar à cozinha e começar tudo de novo, com novas receitas e novos recheios.
Até a próxima e bom apetite,
Stanze
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Liberdade, liberdade
Quando se fala em liberdade pode-se citar milhares de exemplos ao longo da história até os dias de hoje: as guerras de independência, as lutas contra a escravidão, a opressão existente, principalmente contra a mulher, nos países muçulmanos, a luta pela simples expressão na era comunista, e por aí vai. De homens a animais, da repressão física à psicológica, nenhum ser vivo foi criado para ter as suas asas cortadas e ter seus limites determinados por outrem.
Grandes exemplos na literatura e no cinema estão presentes em "Como era Verde o meu Vale", de Richard Llewellyn, que fala da repressão social causada pelo trabalho semi escravo nas minas de carvão; "Negras Raízes", de Alex Haley, sobre a escravidão negra; "Cry Freedom", filme dirigido por Richard Attenborough, sobre o apartheid na África do Sul; e vários outros.
A minha infância foi em grande parte influenciada pela literatura. Um dos poemas que até hoje me fazem arrepiar por ser um grito à liberdade representado de maneira fantástica pela pena de Olavo Bilac, - e que fez com que eu jamais gostasse de um pássaro preso em gaiola -, foi O Pássaro Cativo.
Por isso, termino o Inspiracionando de hoje com o grito de liberdade do pássaro de Olavo Bilac:
Armas, num galho de árvore, o alçapão
E, em breve, uma avezinha descuidada
Batendo as asas cai na escuridão.
Dás-lhe então, por esplêndida morada,
A gaiola dourada.
Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos, e tudo.
Porque é que, tendo tudo, há de ficar o passarinho mudo,
Arrepiado e triste, sem cantar?
É que, criança, os pássaros não falam.
Só gorjeando a sua dor exalam,
Sem que os homens os possam entender;
Se os pássaros falassem,
Talvez os teus ouvidos escutassem
Este cativo pássaro dizer:
'Não quero o teu alpiste!
Gosto mais do alimento que procuro
Na mata livre em que a voar me viste;
Tenho água fresca num recanto escuro
Da selva em que nasci;
Da mata entre os verdores,
Tenho frutos e flores,
Sem precisar de ti!
Não quero a tua esplêndida gaiola!
Pois nenhuma riqueza me consola
De haver perdido aquilo que perdi...
Prefiro o ninho humilde, construído
De folhas secas, plácido e escondido
Entre os galhos das árvores amigas...
Solta-me ao vento e ao sol!
Com que direito à escravidão me obrigas?
Quero saudar as pompas do arrebol!
Quero, ao cair da tarde,
Entoar minhas tristíssimas cantigas!
Porque me prendes? Solta-me, covarde!
Deus me deu por gaiola a imensidade;
Não me roubes a minha liberdade...
Quero voar! voar! ...'
Estas coisas o pássaro diria,
Se pudesse falar.
E a tua alma, criança, tremeria,
Vendo tanta aflição;
E a tua mão, tremendo, lhe abriria
A porta da prisão...
Até a próxima,
Stanze
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Paraprosdokian frases
O termo tem origem grega e significa "além das expectativas". Por seu caráter irônico esse tipo de frase é comumente usado em comédias. Muito embora o termo não seja tão conhecido em português ele existe tecnicamente como figura de linguagem.
A maioria dos exemplos se encontra na língua inglesa, mas, baseado no conceito acima eu poderia criar as seguintes frases paraprosdokian:
"Quem tudo quer nada tem, também, se tivesse não havia de querer";
"Quem com ferro fere, com ferro será ferido, então é melhor ter a vacina anti-tétano às mãos".
Dois exemplos bem conhecidos e muito citados são:
"Copiar de um autor é plágio; copiar de vários é pesquisa"
"Porque se você disser que existem milhões de estrelas todos acreditam, mas dificilmente acreditarão se você disser que o banco está com a tinta fresca?"
Alguns outros exemplos que achei interessantes:
"Ir à igreja não fará de você um cristão, da mesma forma que ir a uma garagem não lhe transformará em carro"
"Conhecimento é saber que tomate é fruta. Inteligência é não colocá-lo na salada de frutas"
"Se eu concordasse com você, ambos estaríamos errados"
"A guerra não determina quem está certo, apenas quem sobrevive"
"Um banco é um local onde você pode pedir dinheiro emprestado, se conseguir provar que não precisa dele"
"Os golfinhos são animais tão espertos que em poucas semanas de cativeiro eles conseguem treinar pessoas a se posicionarem na beira de um aquário e lhes servir peixe"
"A luz viaja mais rápido que o som. É por isso que muitas pessoas parecem brilhantes até que comecem a falar"
"Por trás de um homem de sucesso há sempre uma mulher. Por trás de um fracasso na vida de um homem há sempre a outra mulher"
"Peça sempre dinheiro emprestado de um pessimista. Ele nunca vai esperar que você o pague"
"Um diplomata é uma pessoa que lhe manda para o inferno de uma tal maneira que você começa a esperar ansiosamente pela viagem"
"Quando você estiver tentado a combater fogo com fogo, lembre-se que o corpo de bombeiros usa quase sempre água"
"Você nunca estará velho demais para aprender alguma coisa idiota"
"Algumas pessoas ouvem vozes. Outras vêem pessoas invisíveis. E outras não possuem a menor imaginação"
Até a próxima
Stanze
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Heróis ou anti-heróis?
Pois bem, como estou quase terminando meu primeiro livro já comecei a buscar inspiração para o próximo. Escritores têm várias maneiras de captar a idéia que vai se tornar o enredo de um grande livro. Para o meu primeiro romance fui inspirada em uma pequena nota da revista Newsweek. A partir do fato criei os personagens e o enredo fictício.
Desta vez eu comecei pelo personagem. Gosto de trabalhar bem próximo da realidade (pelo menos até agora, embora eu queira tentar vários estilos) e criar personagens que tenham suas fraquezas e limitações, além das qualidades positivas. Desta vez estou trabalhando em um anti-herói e buscando inspiração em vários modelos existentes por aí. Do clássico pensei imediatamente em Heathcliff de O Morro dos Ventos Uivantes, ou Dorian Grey de O Retrato de Dorian Grey. Como Heathcliff talvez meu personagem cresça pelas próprias mãos e como Dorian Grey talvez ele venda a alma ao Diabo.
Como a história será mais atual, no mundo e conceitos de hoje, corri no tempo e descobri outro exemplo bastante inspirador: Donald Draper, de Mad Men. Para quem não conhece a série, Mad Men se passa nos anos 60 e conta a história de vários executivos de uma agência de publicidade. O seriado disseca a sociedade norte-americana da época, com todos os seus clichês sobre sexualidade, machismo e cobiça, e levou-me a recordar de Peyton Place, de Grace Metalious.
Estou juntando as peças para criar meu primeiro anti-herói que, embora não seja tão "bandido" carece de alguns escrúpulos para atingir seus objetivos. Aguardem, mas enquanto isso, conheçam Don Draper:
E algumas de suas citações neste pequeno trecho já fazem dele um personagem interessantíssimo:
"Você nasce só e morre só. E este mundo faz de tudo para que você esqueça isso, mas eu não esqueço."
"Eu vivo como se não houvesse amanhã... porque não há"
"O problema não é porque as pessoas fumam, mas sim porque elas fumam Lucky Strike"
"A propaganda é baseada em uma só coisa: felicidade. E sabe o que é felicidade? Felicidade é o cheiro de um carro novo. É libertar-se do medo..."
"As mulheres querem ter escolhas, mas nenhuma quer ser uma entre cem numa caixa. Ela é única, ela faz as escolhas..."
"As pessoas necesitam demais que lhes digam o que fazer. Elas escutam qualquer um."
Até a próxima,
Stanze
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Como criar algo novo?
Muitas vezes quando vamos escrever sobre algo nos perguntamos: o que há mais para se criar que ainda não foi contado em termos de literatura? Minha resposta é: tudo. Quando o que escrevemos já foi de uma certa maneira escrita por outro autor o simples truque é mudar algo no personagem, na relação dele com outros personagens, na localização da história, nos anti-personagens, enfim, há várias possibilidades de criar algo inédito a partir do que já existe.
Recentemente descobri esse seriado de 2003 no Youtube. Chama-se: Veritas the Quest. Vou citar alguns elementos desse seriado que com certeza vão fazer com que se lembrem de um filme e personagem famosos. Em Veritas a trama rola em torno de um arqueólogo, professor universitário, que vai em busca de peças raras do passado. Nessa busca ele enfrenta pessoas ou grupos que querem se apoderar dos artifatos para utilizá-los como fonte de poder e opressão.
Com quem se parece esse enredo? Indiana Jones, é claro. Até a busca de uma caveira de cristal conhecida e cobiçada pelos neo-nazistas é enredo de um dos episódios do seriado. O que há de novo então? Pequenos detalhes: o professor/arqueólogo é o líder de um grupo chamado Veritas que tenta desvendar segredos da antiguidade. A relação entre o professor e seu filho adolescente também é diferente e atrai no filme. Existem outras diferenças sutis, muito embora, a grosso modo, o enredo seja muito parecido com as aventuras de Indiana.
Agora pergunto: com tantas coisas semelhantes haveria audiência para esse seriado? Parece que sim. Por ter sido lançado na época da invasão do Iraque e ter perdido o horário pelas transmissões daquela guerra nos Estados Unidos o seriado ficou somente com 13 episódios, mas a reação das pessoas na rede social é descontentamento pelo cancelamento da série.
Quando um enredo é interessante - e relações interpessoais são sempre interessantes - há leitores ávidos a ler a mesma história várias e várias vezes. Para mim, a mágica reside, acima do enredo, no personagem. Quantas e quantas histórias de policiais existem? E quantas têm um detetive como o Sargento Malcolm Ainslie, de Arthur Hailey, em Detetive?
Quantas Alices e Dorothys não existem na literatura e, mesmo assim, serem essas personagens - e tantas outras - independentes e únicas? Alice vai parar no País das Maravilhas e lá encontra personagens estranhos. Dorothy vai parar em Oz (nada a ver com a Austrália) e lá encontra personagens estranhos.
Uma pequena mudança em algo já existente pode criar um novo mundo com dimensão e características próprias. Se tiverem oportunidade (e souberem inglês) procurem Veritas the Quest no Youtube. Lá estão os 13 episódios. Vale a pena!
Até a próxima,
Stanze
sexta-feira, 3 de junho de 2011
De volta à ativa
Após um período de briga com o blogspot e sem conseguir visualizar minhas próprias postagens achei que o Inspiracionando estaria sem muito futuro por aqui. Recentemente instalei o Google Chrome e descobri que a minha briga deveria ter sido com meu próprio browser!!! Mas enfim eis-me aqui online!
Estar de volta à ativa também significa que estou investindo mais em minha arte literária. Decidi que se não for agora não vai nunca mais. Estou dedicando tempo para terminar meu primeiro romance e já tenho idéias para mais dois. Lancei um blog do meu livro para que os que quiserem possam acompanhar meu processo criativo e minha luta com meus personagens e comigo mesma! http://ojardimdedeuslivro.blogspot.com
Nessa montanha russa criativa estou revendo várias técnicas literárias e realizando alguns exercícios que para mim servem de "aquecimento" antes de escrever cada capítulo do meu livro. Um dos meus muros - às vezes alto e às vezes baixo - são as descrições, tanto de personagens quanto de locais ou cenários. No livro Description and Setting, Ron Rozelle observa que há dois tipos de ficção, a literária e a popular. A classificação não é discriminatória, apenas observatória. Na verdade, existem grandes autores em ambos os gêneros e vários leitores que gostam dos dois tipos (eu, por exemplo).
Em se tratando de descrições, o leitor da ficção literária não se importa com as longas passagens descritivas e os detalhes minuciosos que o autor lhe dá, pois está mais interessado em ver como a hitória se desenvolve a partir desse caminho longo e vivo que lhe é apresentado. Já o leitor da ficção popular está mais envolvido com a trama, dando pouca importância a muitos detalhes.
Literária ou popular toda ficção possui descrições e cenários que ajudam o leitor a se situar dentro da trama. Uma das sugestões para desenvolver a capacidade descritiva é ler autores diferentes e observar como eles transformam o ambiente em seu aliado no desenrolar do romance ou conto. Outro instrumento é aplicar os cinco sentidos na descrição de um ambiente.
Termino esta postagem de hoje com dois exercícios interessantes que facilitam o desenvolvimento de uma boa descrição.
1-faça uma lista de alguns elementos (de 5 a 10) que você incluiria em uma descrição nas seguintes situações:
- uma partida de futebol;
- uma estação de metrô;
- um hospital;
- uma praia.
Escolha agora alguns desses elementos e descreva-os em uma frase para situar o leitor no ambiente sugerido.
2 - Utilizando as mesmas situações acima use os cinco sentidos (ou alguns deles) - visão, olfato, audição, tato e paladar - para descrever os ambientes.
Até a próxima,
Stanze
sexta-feira, 4 de março de 2011
Um triângulo carnavalesco
"Um Pierrot apaixonado,
que vivia só cantando,
por causa de uma Colombina,
acabou chorando,
acabou chorando..."
O Pierrot, a Colombina e o Arlequim são criações literárias da Commedia dell'Arte italiana. Pierrot, cujo nome italiano original era Pedrolino, representado por uma máscara com uma lágrima, é o protótipo do bobo apaixonado. Sem poder competir com Arlequim, alegre e vivalhão, vestido com sua característica roupa axadrezada, pelo amor de Colombina, Pierrot resigna-se a chorar. Vestido de branco representa a pureza e inocência. A face triste e as roupas bufantes de Pierrot serviramd e inspiração para muitos dos palhaços de circo modernos.
Esse estilo teatral iniciou-se no século XVI e era caracterizado pela presença constante dos mesmos personagens (alguns a mais do que os três citados acima) e pelo uso improvisado do texto. Havia apenas um argumento básico que dava liberdade a que os atores (que em geral sempre encarnavam os mesmos personagens) usassem fatos da época ou da cidade em que se apresentavam como parte da história que se desenrolava no palco. As máscaras cobriam somente metade do rosto para que a dicção ficasse perfeita. A mímica também era muito usada em virtude da enorme variedade de dialetos existentes na Itália naquela época. A Commedia dell'Arte surgiu também como resposta à Comédia Erudita, falada em Latim, o que dificultava a participação social nas peças.
Do teatro de rua, lá nos longínquos anos 1500, esses três personagens sobreviveram séculos para ainda hoje serem representados nas ruas do Carnaval, seja em Veneza ou no Brasil.
Aproveitem o Carnaval, Pierrots, Arlequins e Colombinas!!!
Até a próxima
Stanze
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Nuvens de palavras
E qual a vantagem de tal instrumento? Além do visual interessante o Wordle pode facilmente servir de inspiração para a criação de novos projetos. Do destaque dado às conhecidas palavras uma nova e diferente idéia pode surgir. E que tal experimentar uma obra em conjunto? Junte vários textos, escritos por diferentes pessoas e, a partir das palavras em destaque, crie algo novo.
Com tudo que escrevi acima criei este Wordle:
Se quiserem tentar é super divertido. Liberem a imaginação e brinquem com as palavras no Wordle .
Até a próxima,
Stanze
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Um contador de histórias
Além da parte histórica que seus livros trazem, vários assuntos temáticos também são explorados. Em Os Rebeldes, a geração hippie da era da guerra do Vietnam e seus conceitos é explorada ao acompanharmos as aventuras, viagens e desventuras de 6 jovens através de vários locais considerados "cult" da Europa naquele tempo: Espanha, Portugal, Marrocos e Moçambique. sexta-feira, 30 de abril de 2010
Um Passeio às Feiras
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Uma Ode às Bibliotecas
Imediatamente eu pensei em livros e passei algumas horas em um local que para mim é inspirador, relaxante e trasncendental: minha biblioteca.
Cícero dizia que "adicionar uma biblioteca a uma casa é dar-lhe alma". Eu acrescentaria dizendo que uma biblioteca não somente dá alma a uma casa mas principalmente dá tranquilidade e conforto à alma do dono.
Neste momento em que redijo o artigo de hoje estou aqui cercada pelas chamas da minha alma, os meus livros. O silêncio místico de uma biblioteca convida à inspiração, à liberdade de pensamentos. Uma poltrona ou sofá bem confortável, um raio de sol que entra pela janela numa tarde morna e vagabunda de domingo, iluminando de leve as páginas do livro aberto em nossas mãos, o prazer de correr os olhos pelas prateleiras e descobrir em cada uma delas uma preciosidade escondida, um mundo inteiro a ser explorado, tudo isso não pode ter outra denominação que não a de tranquilidade da alma.
Mas as bibliotecas não são somente estáticas. Aqui na Holanda os livros andam. No hospital, uma vez por semana passa o carrinho dos livros pelos quartos. Nas praias, no verão, há as bibliotecas de praia, com livros leves e despretensiosos. Um amigo meu trabalhava em uma biblioteca ambulante, dirigindo uma espécie de ônibus e percorrendo os bairros da cidade. São os bibliobussen, ou, permitindo-me a liberdade de aportuguesar, as onibotecas.
Existem também bibliotecas especializadas em determinado assunto, como as bibliotecas universitárias ou as bibliotecas para cegos, em que todos os livros são em braille. E há ainda as bibliotecas das prisões, que promovem a educação entre os presos. E, para não dizer que não falei deles, há as quadrinhotecas, somente de gibis (das quais eu - e vários amigos que conheço - possuo uma variação especial chamada de BiblioTex, dedicada exclusivamente ao personagem dos quadrinhos Tex Willer).
Bem, vou deixá-los hoje com algumas bibliotecas maravilhosas que encontrei pela internet:
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Clássicos e mais clássicos
Vejam só como Érico Veríssimo nos traz a agonia de Eugênio ao saber que Olívia está prestes a morrer em Olhai os Lírios do Campo:
"O sol da tarde doura os campos. O açude reluz ao pé do bosquete de eucaliptos. Mas Eugênio só enxerga os seus pensamentos. E dentro deles está Olívia, pálida, estendida na mesa de operações, coberta de panos ensangüentados. "Ela sabe que vai morrer... pediu para vê-lo..." Ele precisa ir. Imediatamente.
Uma voz infantil flutua no silêncio da tarde, num grito prolongado. É o rapazito que vai dar de beber a uma vaca malhada, tangendo-a para a beira do açude. As imagens do animal e da criança se refletem na água parada. Paz - pensa Eugênio -, a grande paz de Deus de que Olívia sempre lhe falava...
De novo o silêncio, e uma sensação de remorso, a certeza de que vai começar a pagar os seus pecados, a expiar as suas culpas.
Os olhos de Eugênio se inundam de lágrimas. Passam-se os segundos. Aos poucos a respiração se lhe vai fazendo normal e o que ele sente agora é uma trêmula fraqueza de convalescente.
Mas da própria paz dos campos e da idéia mesma de Deus lhe vem de repente uma doida e alvoroçada esperança, que lhe toma conta do ser. É possível que Olívia se salve. Seria cruel demais se ela morresse assim. Acontecem milagres - ele se lembra de casos...
Apanha o chapéu e precipita-se para a escada. Mas por que se detém de súbito no patamar, como se tivesse encontrado um obstáculo inesperado? Tem aguda consciência dum sentimento aniquilador: a sua covardia, aquela imensa e dolorosa covardia num momento em que devia esquecer tudo e correr para junto de Olívia."
Nesse processo de aprendizagem, um dos refrões que ouvimos é que, como autor ou simples leitor, temos que conhecer (e isso implica ler) os clássicos da literatura local e mundial. Mas o que isso significa? Que temos que nos debruçar sobre livros antigos, cheirando a mofo e cobertos de poeira? Sim, porque a primeira idéia que temos de clássicos são livros antigos, escritos pelo menos no século retrasado. O meu conceito de clássico - com certeza compartilhado por alguns - é um pouco diferente disso. Para mim um clássico é um livro que tem algum fator que o torna inesquecível. Esse fator pode ser a história em si, ou a maneira do autor escrever, ou um personagem de caráter forte, seja ele bom como Ben Hur no clássico homônimo de Lewis Wallace, ou mau, como Heathcliff em O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë. O que eu chamo de cláasico é na verdade, para mim, uma obra que é modelo de referência e que me volta à cabeça quando escrevo meus próprios contos ou artigos como este.
Nesse aspecto, eu divido os clássicos em duas colunas: os clássicos assim chamados em geral por sua importância em um dado momento, e os meus próprios clássicos, que me inspiram e me guiam no mundo das palavras.
Atualmente estou relendo O Morro dos Ventos Uivantes, desta vez na versão original em inglês. Existe uma outra dimensão na leitura de uma obra em sua língua original. A "mão" do autor é mais presente e marcante, sem ter passado pelo "ajustes" do tradutor. Nessa procura aos clássicos originais (tenho vários traduzidos para o português) descobri alguns sites com possibilidades de download grátis, pois várias obras mais antigas já tiveram os direitos autorais caducados.
Eis aqui alguns dos sites que frequento, sendo que a maioria deles possui livros em sua versão original.
Goodreads - comunidade de leitores em que livros são analisados e comentados. Não é preciso se cadastrar para ter acesso aos e-books. Basta clicar em find books e depois selecionar ebooks.
LibrarySpot - este é um site para ser explorado com tempo. Tem acesso a milhares de bibliotecas, jornais e livros, é claro.
Project Gutenberg - o site se considera o primeiro a dar acesso a e-books grátis.
Virtual Books - possui vários livros nacionais.
The Online Literature Library - clique em authors index e selecione o seu clássico.Todos em inglês.
Nesses sites há muito que explorar e ler. Escolha os seus clássicos e boa leitura!
Até a próxima!
Stanze
sexta-feira, 2 de abril de 2010
E Cristo se fez homem ...
O primeiro deles, que nos trouxe a história como a conhecemos, foi a Bíblia. Das versões dos apóstolos, que não foram os autores originais dos textos bíblicos, passamos a ter uma descrição do Cristo-Deus que veio à Terra, viveu e morreu para propagar a mensagem do Pai. Mensagem este que tem sido interpretada e usada de várias maneiras, algumas não tão libertadoras.
Muitos séculos depois, vários autores interpretaram Cristo à sua imagem e semelhança. A Ultima Tentação, de Nikos Kazantzakis, que não tem nada a ver com o filme de Martin Scorsese, tem como tese central a humanidade de Jesus Cristo que, embora livre do pecado, sofreria de medos, angústias, dúvidas, depressão e até luxúria.
O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago, foi banido pelo governo português por contar o evangelho de forma irônica, inventando novos milagres e profecias. No livro, Deus e o Diabo negociam sobre o mal e Jesus se questiona sobre seu papel na Terra desafiando o próprio Deus. Nesse romance, Maria Magdalena é a prostituta com quem Cristo perdeu a virgindade. O Cristo de Saramago afirma que "... o coração humano nunca está satisfeito. A realização do dever não traz paz de espírito, como querem nos fazer acreditar aqueles que se satisfazem facilmente."
Notadamente interessante é o livro de Norman Mailer, O Evangelho Segundo o Filho, em que o autor segue quase que fielmente os quatro evangelhos canônicos e usa o próprio Cristo como narrador da sua História. Sem ser um livro controverso, o autor ironicamente recebeu várias críticas sobre o que foi chamado a obra de um escritor judeu em homenagem à sua esposa católica.
Em 2003, o ator e produtor Mel Gibson comoveu o mundo com o filme A Paixão, que teve como inspiração maior o livro A Dolorosa Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, publicado em 1833 por Clemens Brentano, baseado nas visões e meditações da freira Anne Catherine Emmerick. Anne Catherine, freira e santa alemã, entrou para a irmandade Augustina em 1802, aos 28 anos. Em 1813 a Santa apresentou estigmatas em seu corpo e várias investigações médicas se sucederam, comprovando a veracidade na origem das feridas. Numa dessas ocasiões ela foi visitada por Clemens Brentano que ficou fascinado pelas visões que a jovem freira tinha, descrevendo passagens da vida de cristo e sue mãe Maria como se as visse com seus próprios olhos. Uma cópia em pdf do livro pode ser encontrada neste link .
Uma outra visão de Jesus Cristo pode ser encontrada na epopéia Operação Cavalo de Tróia, de J.J. Benítez. Esse romance, já em seu oitavo livro, narra as duas viagens através do tempo de dois cientistas norte-americanos, em uma missão secreta, ao momento em que Cristo vivia na Terra. O primeiro livro, o mais intenso, narra a crucificação do Senhor. Possuidores de instrumentos de alta tecnologia científica os viajantes constatam os horrores que o Cristo sofreu na Cruz. Em outra parte, o livro critica a maneira com que os ensinamentos de Cristo foram repassados pelos Apóstolos e pela Igreja Católica.
Essa lista de obras literárias, algumas dignas talvez de constar do Index da Igreja Católica, constitui bom material de leitura no feriado da Semana Santa!!
Até a próxima
Stanze
sexta-feira, 26 de março de 2010
A Onomatopéia Literária
Baleia, a cachorra magrela de Vidas Secas, de Graciliano Ramos, me perseguiu durante a infância por causa das obrigatórias leituras que nos eram impingidas nos tempos de escola. Eu preferia voar com Beleza Negra ou me admirar da coragem dos Caninos Brancos. Somente mais tarde foi que reconheci a força de Baleia e a beleza mórbida de Vidas Secas.
É claro que seria um pecado não mencionar aqui a raposa de O Pequeno Príncipe, de Saint Exupèry, que nos deu todas aquelas frases maravilhosas sobre amor e amizade que usamos com os amigos e namorados pela adolescência afora. Descobri este vídeo do filme com Gene Wilder no papel da raposa.
Recentemente chorei com Marley e Eu, de John Grogan. Marley me fez lembrar de um outro cachorro que tive na infância, Mr. Bascow. Terrível, mas adorável. Mordi os dedos de suspense ao ler O Cão dos Baskerville, de Arthur Conan Doyle, ou O Corvo, de Edgar Allan Poe. E sempre me irritei com aquele coelho apressado de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Caroll.
Todas essas emoções os animais podem provocar e ser uma grande fonte de inspiração para uma boa história. Observem bem os nossos amigos animais e usem-nos como personagens presentes e interessantes.
Deixo-os hoje com estes três fantásticos animais que povoaram a minha infância!
Até a próxima
Stanze
O artigo de hoje é dedicado a Atlantinha, Basco, Mr. Bascow, Nikita e todos os meus outros queridos amigos e companheiros de 4 patas
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Guerra de Palavras
Assistindo recentemente a série da TV Globo, Dalva e Herivelto, que conta a história da cantora Dalva de Oliveira e do cantor e compositor Herivelto Martins, achei curiosa a maneira com que os dois passaram a digladiar através das músicas que cantavam na rádio, após a dissolução do seu casamento.
Vejam só este exemplo, de autoria de Herivelto Martins e David Nasser:
Atiraste uma Pedra
Atiraste uma pedra no peito de quem
só te fez tanto bem
E quebraste um telhado, perdeste um abrigo
Feriste
um amigo
Conseguiste magoar quem das mágoas te livrou
Atiraste uma pedra
com as mãos que essa boca
Tantas vezes beijou
Quebraste um telhado
Que nas noites de frio te servia de abrigo
Perdeste um amigo que os teus
erros não viu
E o teu pranto enxugou
Mas acima de tudo atiraste uma
pedra
Turvando esta água
Esta água que um dia, por estranha ironia
Tua sede matou
Atiraste uma pedra no peito de quem
Só te fez tanto
bem
E a resposta, interpretada por Dalva de Oliveira, escrita por Wilson Batista
Calúnia
Quiseste ofuscar minha fama
E até jogar-me
na lama
Só porque eu vivo
a brilhar
Sim,mostraste ser invejoso
Viraste até mentiroso
Só para
caluniar.
Deixa a calúnia de lado
Se de fato és poeta
Deixa a
calúnia de lado
Que ela a mim não afeta
Tu me ofendes,tu serás o
ofendido
Pois quem com o ferro fere
Com
ferro será ferido.
Para quem quiser (re)ver um pouquinho dessa maravilhosa série e, especificamente da fase em que ambos brigavam através da música, achei este link no You Tube
A imprensa sempre foi o meio mais conhecido para protestar, reclamar e difamar, principalmente governos e pessoas. Pensem nos famosos pasquins e terão um exemplo perfeito do que estou falando.
O professor da Universidade Federal do Maranhão, Sebastião Jorge, escritor, jornalista e advogado, em seu livro Política Movida a Paixão, conta a trajetória jornalística de Odorico Mendes, escritor do jornal O Argos da Lei, onde defendia os interesses do país e da província do Maranhão de uma maneira ofensiva contra os desmandos de Portugal, e das batalhas literárias que travou contra seu arquiinimigo, o jornalista Garcia de Abranches e seu O Censor. Na maioria das vezes, como era de se esperar de dois cavalheiros educados nos idos de 1820, a guerra era primorosa e inteligente, porém, em outras vezes a civilidade deu lugar a ofensas e insultos. Uma leitura saborosa e histórica.
Mais detalhes do livro nesta resenha da Revista PJ:BR de setembro de 2005. Para vê-la, clique aqui.
Até a próxima!







