Olá amigos
Após um período de briga com o blogspot e sem conseguir visualizar minhas próprias postagens achei que o Inspiracionando estaria sem muito futuro por aqui. Recentemente instalei o Google Chrome e descobri que a minha briga deveria ter sido com meu próprio browser!!! Mas enfim eis-me aqui online!
Estar de volta à ativa também significa que estou investindo mais em minha arte literária. Decidi que se não for agora não vai nunca mais. Estou dedicando tempo para terminar meu primeiro romance e já tenho idéias para mais dois. Lancei um blog do meu livro para que os que quiserem possam acompanhar meu processo criativo e minha luta com meus personagens e comigo mesma! http://ojardimdedeuslivro.blogspot.com
Nessa montanha russa criativa estou revendo várias técnicas literárias e realizando alguns exercícios que para mim servem de "aquecimento" antes de escrever cada capítulo do meu livro. Um dos meus muros - às vezes alto e às vezes baixo - são as descrições, tanto de personagens quanto de locais ou cenários. No livro Description and Setting, Ron Rozelle observa que há dois tipos de ficção, a literária e a popular. A classificação não é discriminatória, apenas observatória. Na verdade, existem grandes autores em ambos os gêneros e vários leitores que gostam dos dois tipos (eu, por exemplo).
Em se tratando de descrições, o leitor da ficção literária não se importa com as longas passagens descritivas e os detalhes minuciosos que o autor lhe dá, pois está mais interessado em ver como a hitória se desenvolve a partir desse caminho longo e vivo que lhe é apresentado. Já o leitor da ficção popular está mais envolvido com a trama, dando pouca importância a muitos detalhes.
Literária ou popular toda ficção possui descrições e cenários que ajudam o leitor a se situar dentro da trama. Uma das sugestões para desenvolver a capacidade descritiva é ler autores diferentes e observar como eles transformam o ambiente em seu aliado no desenrolar do romance ou conto. Outro instrumento é aplicar os cinco sentidos na descrição de um ambiente.
Termino esta postagem de hoje com dois exercícios interessantes que facilitam o desenvolvimento de uma boa descrição.
1-faça uma lista de alguns elementos (de 5 a 10) que você incluiria em uma descrição nas seguintes situações:
- uma partida de futebol;
- uma estação de metrô;
- um hospital;
- uma praia.
Escolha agora alguns desses elementos e descreva-os em uma frase para situar o leitor no ambiente sugerido.
2 - Utilizando as mesmas situações acima use os cinco sentidos (ou alguns deles) - visão, olfato, audição, tato e paladar - para descrever os ambientes.
Até a próxima,
Stanze
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sexta-feira, 3 de junho de 2011
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
10 Elementos Essenciais da Narrativa
Na última semana o Inspiracionando não foi atualizado porque eu estava longe do meu computador, mas já estou de volta!
Descobri entre meus papéis um excelente guia com os elementos essenciais de uma narrativa, útil tanto para o escritor quanto para o leitor crítico. Cada elemento traz algumas perguntas que são interessantes para se verificar se pontos importantes foram explorados.
1 - Personagens - as pessoas na narrativa
Até a próxima
Stanze
Descobri entre meus papéis um excelente guia com os elementos essenciais de uma narrativa, útil tanto para o escritor quanto para o leitor crítico. Cada elemento traz algumas perguntas que são interessantes para se verificar se pontos importantes foram explorados.
1 - Personagens - as pessoas na narrativa
- Os personagens são interessantes?
- Os personagens são bem elaborados? Você é capaz de "vê-los"?
- Os personagens se distinguem uns dos outros?
- O protagonista cresce ou muda durante o desenrolar da narrativa?
- A narrativa é interessante? Cativante? Dramática?
- Há suficiente conflito?
- A narrativa se move para a frente? Há aumento da tensão?
- Há partes da narrativa que são desnecessárias? Há partes necessárias que não foram contadas?
- O ponto de vista usado é correto para a história que está sendo contada (primeira pessoa, terceira pessoa, etc)?
- O ponto de vista é consistente durante toda a narrativa?
- As descrições funcionam?
- Há muito ou pouca descrição?
- As descrições usam os sentidos (tato, olfato, visão, etc)?
- Adjetivos e advérbios são usados em demasia?
- São usados muitos clichês?
- A linguagem figurada é usada apropriadamente (metáfora, símile, etc)
- Há muito ou pouco diálogo?
- O diálogo soa natural?
- O diálogo reflete os personagens?
- Os diálogos são muito "claros" - onde o que o personagem diz é sempre exatamente o que ele quer dizer?
- A narrativa é consistente em seu tempo e espaço?
- Há muito ou pouca descrição do cenário?
- O cenário ajuda o espírito da narrativa?
- Há passagens que deveriam ser eliminadas ou descritas com mais rapidez?
- Há passagens que deveriam ser mais vagarosas?
- Há muitos flashbacks?
- A voz do narrador é atraente ou distrai muito?
- A voz soa natural ou afetada?
- A voz é consistente em toda a narrativa?
- As palavras usadas são consistentes com a voz do narrador?
- As sentenças e parágrafos são muito longas ou muito curtas?
- Há algum estilo usado na narrativa que provoca distração em vez de acentuar o teor da narrativa?
- Há um sentido na história?
- O tema central é explorado pelo narrativa?
Até a próxima
Stanze
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Deixemos de entretanto e vamos logo para os finalmente...
Odorico Paraguaçu foi uma figura notória da televisão brasileira. Seu palavreado é exclusivo e sua obsessão em inaugurar o cemitério, ponto maior da sua campanha para prefeito de Sucupira, é hilária.
Dias Gomes criou um personagem que, embora fosse cínico, corrupto e interesseiro, era adorado pelo público. Isso porque sua genialidade criativa trouxe às telas um linguajar único e criativo. A isso se chama neologismo, que pode ser tanto a criação de uma palavra nova quanto dar um significado diferente a uma palavra já existente.
Alguns exemplos de neologismos são trekkie, termo usado para os fãs de Jornada nas Estrelas (Star Trek em inglês), ou papamóvel. Há vários tipos de neologismo, como os causados por derivação prefixal, tipo desfeliz, desinquieto, ou derivação sufixal, como assinzinho, mesminho. O prof. Teotônio Marques Filhos, no site Por Trás das Letras, analisa os vários tipos de neologismos em um estudo sobre a obra Sagarana, de Guimarães Rosa. Confira aqui.
O neologismo é um recurso interessante para se usar em uma obra literária, desde que feito com consistência e coerência com o personagem.
Odorico Paraguaçu usava o neologismo com classe e, embora fosse um sinal da sua ignorância, era ao mesmo tempo um forte traço da sua personalidade e seu discurso "politiqueiro".
Só para lembrar:
"Errar é humanum est, como dizem os latinos"
"Um homem que se preze não deve deixar barato seu corneamento"
"Um herói altamente alto, à altura de prestar um grande beneficiamento à população de Sucupira! Com esse herói mórbido, eu vou proceder à cerimônia inauguratícia do cemitério que construí com amor mortuário..."
"Não há humilhamento maior que o de ver um homem que viveu vetustamente ser levado numa rede, balançando a sua defuntice..."
"E com esse licor eu homageio a nossa jenipapança"
(extraído de O Bem Amado, livro da série Grandes Novelas, publicado pela Editora Globo)
Até a próxima
Stanze
Dias Gomes criou um personagem que, embora fosse cínico, corrupto e interesseiro, era adorado pelo público. Isso porque sua genialidade criativa trouxe às telas um linguajar único e criativo. A isso se chama neologismo, que pode ser tanto a criação de uma palavra nova quanto dar um significado diferente a uma palavra já existente.
Alguns exemplos de neologismos são trekkie, termo usado para os fãs de Jornada nas Estrelas (Star Trek em inglês), ou papamóvel. Há vários tipos de neologismo, como os causados por derivação prefixal, tipo desfeliz, desinquieto, ou derivação sufixal, como assinzinho, mesminho. O prof. Teotônio Marques Filhos, no site Por Trás das Letras, analisa os vários tipos de neologismos em um estudo sobre a obra Sagarana, de Guimarães Rosa. Confira aqui.
O neologismo é um recurso interessante para se usar em uma obra literária, desde que feito com consistência e coerência com o personagem.
Odorico Paraguaçu usava o neologismo com classe e, embora fosse um sinal da sua ignorância, era ao mesmo tempo um forte traço da sua personalidade e seu discurso "politiqueiro".
Só para lembrar:
"Errar é humanum est, como dizem os latinos"
"Um homem que se preze não deve deixar barato seu corneamento"
"Um herói altamente alto, à altura de prestar um grande beneficiamento à população de Sucupira! Com esse herói mórbido, eu vou proceder à cerimônia inauguratícia do cemitério que construí com amor mortuário..."
"Não há humilhamento maior que o de ver um homem que viveu vetustamente ser levado numa rede, balançando a sua defuntice..."
"E com esse licor eu homageio a nossa jenipapança"
(extraído de O Bem Amado, livro da série Grandes Novelas, publicado pela Editora Globo)
Até a próxima
Stanze
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Tempo limite: uma idéia inspiradora
Trabalhar com limites de tempo muitas vezes é um ótimo instrumento para treinar a nossa mente para a criatividade espontânea. Às vezes, quando temos muito tempo para fazer algo, postergamos a tarefa para o último minuto e acabamos por ter um resultado insatisfatório.
Escrever é um processo. Muitas vezes temos o dom, mas somente a prática leva à perfeição. E a prática necessita de um estímulo. Esse estímulo pode ser visual, olfativo, auditivo, sensitivo ou, como no meu caso, limitativo. Quando tenho um limite certo e curto para realizar algo, a coisa flui com mais energia e força.
Para demonstrar na prática o que estou falando, participei uma vez de um concurso on-line que nos dava uma imagem e 15 minutos para criar algo em cima daquilo. De um desses exercícios saiu o pequeno conto que transcrevo abaixo. A imagem era de um pescador sentado à beira de um lago azul e sereno. Chamei o texto de Pescador:
"Lá está ele novamente. Semana após semana ele vem e com aquela vara longa tenta me pegar. Eu sei que é comigo porque eu vi nos seus olhos, por baixo do boné que ele usa. Ele é chamado de pescador. Eu o chamo de Deus. Ele tem o poder da vida e da morte, por isso que lhe dei esse nome.
Mesmo assim, ele é bom. Eu já vi alguns maus vindo com redes grandes e levando as crianças e as senhoras sem nenhum discernimento. Mas este aqui não é assim. Ele se parece um pouco com Aquele que veio há séculos atrás. Eu li sobre Ele no Livro dos Peixes. Ele era poderoso e nosso povo pulava nos barcos ou aparecia do nada somente com um comando Dele. Ele também era um pescador. Mas Ele era um pescador de homens e almas.
Uma vez eu vi este aqui devolver um peixinho ao mar. Era uma sardinha que não acreditou nas palavras sábias dos velhos peixes e comeu aquele pedaço de carne pendurado da vara do pescador. Então o Deus o pegou cuidadosamente e exercendo seus poderes de perdão retornou-o ao mar. Eu fiquei surpreso com isso e daquele dia em diante o pescador ganhou minha admiração.
Até o dia em que o vi pegando o Bolhas Velhas e não o devolvendo. Ao invés, Bolhas Velhas foi parar em uma cesta e nunca mais o vimos. Foi horrível. Passei dias e dias pensando sobre aquilo e finalmente desisti e perguntei ao Sr. Tubarão porque o pescador havia agido daquela forma. Ele então me disse que foi o Bolhas Velhas que havia escolhido aquela maneira de ir. "Este é boa pessoa", disse-me o Sr. Tubarão, "o Bolhas Velhas terá um ótimo lugar no Paraíso dos Peixes."
Toda semana ele vem e toda semana eu estou aqui à espera dele. Ainda não é tempo. Eu sei disso e ele também o sabe. Ele vai jogar a linha e esperar. Ele sabe que eu o estou observando. Ainda sou jovem e ele também o é. Ambos temos paciência."
Quando trabalhamos com tempo limite, nem sempre conseguimos algo satisfatório na primeira vez. Talvez nem na segunda ou na terceira, ou nem sempre, mas com certeza treinamos o nosso cérebro a criar com rapidez e criatividade. Experimente, vale a pena.
Até a próxima,
Stanze
Escrever é um processo. Muitas vezes temos o dom, mas somente a prática leva à perfeição. E a prática necessita de um estímulo. Esse estímulo pode ser visual, olfativo, auditivo, sensitivo ou, como no meu caso, limitativo. Quando tenho um limite certo e curto para realizar algo, a coisa flui com mais energia e força.
Para demonstrar na prática o que estou falando, participei uma vez de um concurso on-line que nos dava uma imagem e 15 minutos para criar algo em cima daquilo. De um desses exercícios saiu o pequeno conto que transcrevo abaixo. A imagem era de um pescador sentado à beira de um lago azul e sereno. Chamei o texto de Pescador:
"Lá está ele novamente. Semana após semana ele vem e com aquela vara longa tenta me pegar. Eu sei que é comigo porque eu vi nos seus olhos, por baixo do boné que ele usa. Ele é chamado de pescador. Eu o chamo de Deus. Ele tem o poder da vida e da morte, por isso que lhe dei esse nome.
Mesmo assim, ele é bom. Eu já vi alguns maus vindo com redes grandes e levando as crianças e as senhoras sem nenhum discernimento. Mas este aqui não é assim. Ele se parece um pouco com Aquele que veio há séculos atrás. Eu li sobre Ele no Livro dos Peixes. Ele era poderoso e nosso povo pulava nos barcos ou aparecia do nada somente com um comando Dele. Ele também era um pescador. Mas Ele era um pescador de homens e almas.
Uma vez eu vi este aqui devolver um peixinho ao mar. Era uma sardinha que não acreditou nas palavras sábias dos velhos peixes e comeu aquele pedaço de carne pendurado da vara do pescador. Então o Deus o pegou cuidadosamente e exercendo seus poderes de perdão retornou-o ao mar. Eu fiquei surpreso com isso e daquele dia em diante o pescador ganhou minha admiração.
Até o dia em que o vi pegando o Bolhas Velhas e não o devolvendo. Ao invés, Bolhas Velhas foi parar em uma cesta e nunca mais o vimos. Foi horrível. Passei dias e dias pensando sobre aquilo e finalmente desisti e perguntei ao Sr. Tubarão porque o pescador havia agido daquela forma. Ele então me disse que foi o Bolhas Velhas que havia escolhido aquela maneira de ir. "Este é boa pessoa", disse-me o Sr. Tubarão, "o Bolhas Velhas terá um ótimo lugar no Paraíso dos Peixes."
Toda semana ele vem e toda semana eu estou aqui à espera dele. Ainda não é tempo. Eu sei disso e ele também o sabe. Ele vai jogar a linha e esperar. Ele sabe que eu o estou observando. Ainda sou jovem e ele também o é. Ambos temos paciência."
Quando trabalhamos com tempo limite, nem sempre conseguimos algo satisfatório na primeira vez. Talvez nem na segunda ou na terceira, ou nem sempre, mas com certeza treinamos o nosso cérebro a criar com rapidez e criatividade. Experimente, vale a pena.
Até a próxima,
Stanze
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Monólogo: um diálogo saci
Uma das forças de uma história são os diálogos entre os personagens. Através do diálogo exerce-se muito bem o preceito de "mostre, não conte", essencial para que uma história se torne viva e interessante. Sobre diálogos vou falar muito aqui, mas hoje vou tratar de uma peculiaridade desse instrumento, o diálogo de uma perna só, ou seja, o monólogo.
Conhecemos muito o monólogo de peças teatrais, principalmente aquelas em que o personagem divaga sobre sua própria personalidade, como Hamlet, de William Shakespeare, que, com uma caveira nas mãos, pergunta-se sobre "ser ou não ser". Os discursos também são monólogos e eu até chegaria a ousar e dizer que as longas descrições são uma espécie de monólogo do autor.
Em geral esse instrumento aparece muito em partes da narrativa e raras vezes constitui a única voz presente em toda a história. Dolores Claiborne, de Stephen King, é um dos livros que mais considero característico de um monólogo verdadeiro. Algumas pessoas poderiam afirmar que livros escritos em primeira pessoa poderiam também ser considerados monólogos. Eu porém vejo uma diferença: livros escritos em primeira pessoa narram em geral os fatos sem criar a voz do personagem que fala. Já os monólogos, como em Dolores possuem a voz própria do personagem que conta a história.
Uma das características de um monólogo bem escrito é de que, além de uma voz própria, ele tenha os elementos básicos de qualquer narrativa, ou seja, início, meio (ou clímax) e fim. Ele deve contar uma história (ou mini-história) em si.
E a última dica de hoje sobre monólogo vale para qualquer tipo de escrita que você quiser utilizar: pense na sua audiência e utilize o instrumento e a linguagem adequados para seus leitores.
Abaixo transcrevo um monólogo que escrevi como exercício. Na verdade o persongem conversa com uma pessoa que já faleceu e, por isso, o que seria um diálogo transcorre como um monólogo.
Stanze
Conhecemos muito o monólogo de peças teatrais, principalmente aquelas em que o personagem divaga sobre sua própria personalidade, como Hamlet, de William Shakespeare, que, com uma caveira nas mãos, pergunta-se sobre "ser ou não ser". Os discursos também são monólogos e eu até chegaria a ousar e dizer que as longas descrições são uma espécie de monólogo do autor.
Em geral esse instrumento aparece muito em partes da narrativa e raras vezes constitui a única voz presente em toda a história. Dolores Claiborne, de Stephen King, é um dos livros que mais considero característico de um monólogo verdadeiro. Algumas pessoas poderiam afirmar que livros escritos em primeira pessoa poderiam também ser considerados monólogos. Eu porém vejo uma diferença: livros escritos em primeira pessoa narram em geral os fatos sem criar a voz do personagem que fala. Já os monólogos, como em Dolores possuem a voz própria do personagem que conta a história.
Uma das características de um monólogo bem escrito é de que, além de uma voz própria, ele tenha os elementos básicos de qualquer narrativa, ou seja, início, meio (ou clímax) e fim. Ele deve contar uma história (ou mini-história) em si.
E a última dica de hoje sobre monólogo vale para qualquer tipo de escrita que você quiser utilizar: pense na sua audiência e utilize o instrumento e a linguagem adequados para seus leitores.
Abaixo transcrevo um monólogo que escrevi como exercício. Na verdade o persongem conversa com uma pessoa que já faleceu e, por isso, o que seria um diálogo transcorre como um monólogo.
UMA ROSA PARA ÂNGELA
(Stanze)
“Eu contei para Joana sobre nosso relacionamento. Ela merecia saber. Mas não se preocupe... eu mantive minha promessa. Ela não sabe que é nossa filha. De qualquer modo, não acho que isso faria bem a ela. Mas pelo menos ela pode compreender porque venho aqui todos os anos ... e também porque sua mãe ... desculpe, minha esposa... não gostava disso.
Eu também não aceitaria. Mas Carolina era uma pessoa maravilhosa.
Sim, eu voltei para ela como você me havia pedido, e ficamos juntos ... até sua morte. Na época eu tive medo da reação de Carolina mas, com Joana, eu tinha que tomar uma decisão mesmo que fosse contra o que meu coração pedia. Ela aceitou Joana como sua própria filha. Carolina me amava, você sabe...
Ela é linda ... a nossa filha ... igual a você.
Angela ... por que você teve que me deixar? Eu a odiei por isso. Você me deixou só no meio de uma guerra com um bebê nos braços mas, deixe pra lá... como eu poderia alguma vez odiá-la?
Sabe... eu entendo suas razões. Você estava certa. O bebê estaria melhor com um jornalista americano do que com uma guerrilheira da resistência.
A verdade é que eu fui um covarde. Por isso foi que eu nunca disse a verdade a Joana. Como eu poderia dizer a ela que um jornalista não foi capaz de encontrar sua mãe depois de janeiro de 1944? Carolina e Joana estavam se dando tão bem. Eu não podia destruir aquela harmonia. Eu fui um covarde... eu fui covarde até para, ao menos, tentar.
Sabe, vinte anos depois e eu ainda consigo falar italiano. Até ensinei algumas palavras a Joana.
Foi no topo desta montanha que nos encontramos pela primeira vez. Ainda me lembro da noite em que você me trouxe até aqui. Foi somente nessa ocasião que eu pude apreciar a beleza desta área... Vagliali a nossos pés ... a escuridão... e aqueles vagalumes por toda a parte como um tapete de estrelas estendido diante de nós. Naquela noite você me disse que jamais poderia deixar este local.
Eu lhe trouxe uma rosa… uma rosa amarela. Mas desta vez não é para você, Angela. É para sua prima.
Sim… eu descobri o seu pequeno segredo. Foi Maria quem morreu em seu lugar naquele dia. Ela não deveria estar lá. E sua identidade foi encontrada com ela.
Eu posso imaginar o quanto você deve ter sofrido. Vocês duas eram como irmãs. É óbvio que você tinha que usar a oportunidade. Maria gostaria de ajudar de qualquer modo. Você poderia desaparecer…e sobreviver à guerra…
É egoísmo meu, mas eu nunca pude lhe perdoar por não ter tentado entrar em contato comigo... ou com sua filha.
Então, há quatro anos atrás, a carta chegou. A carta anônima que dizia que você havia falecido e que estava enterrada aqui há muitos anos.
Foi um erro me mandar aquela carta, Angela. Dentro do meu coração eu sabia que você não estava morta. Mas eu lhe encontrarei. E então eu lhe darei a melhor rosa que eu jamais pude lhe dar... sua filha."
Até a próxima
Stanze
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Um Pequeno Prólogo
Comecei a ler um livro que tem um prólogo e foi isso que me inspirou a escrever sobre essa técnica aqui no Inspiracionando. Há vários livros com e outros sem prólogo deixando claro que esse pré-capítulo é opcional. Mas para quê e quando usar essa opção?
O prólogo pode ser usado quando há necessidade de uma explicação prévia. Por exemplo, se a história tem um enredo cuja essência trata de algo que teve seu início em outra época ou país, o prólogo pode ser usado para introduzir a história a partir desse ponto. Outra utilidade para o prólogo é introduzir um pedaço da narrativa que não se encaixa propriamente no enredo. E uma coisa interessante nos prólogos é que eles podem simplesmente desrespeitar a lei do Ponto de Vista. O prólogo pode ser escrito em um PdV completamente diferente do resto da narrativa.
Infelizmente nem todos os prólogos são bem utilizados e algumas vezes o autor usa como prólogo apenas um pedaço do próprio livro, palavra por palavra, como uma isca para atrair o leitor.
Mas, precisamos realmente de um prólogo ou tudo o que vamos contar pode ser encaixado diretamente no enredo? Marg McAlister, em um artigo no foremostpress.com, sugere que você faça as seguintes perguntas a si mesmo para saber se seu livro tem necessidade de um prólogo:
1 - O que acontece se eu chamar o Prólogo de Capítulo 1? A história fluirá suavemente a partir desse ponto? (Se a resposta foi sim então jogue fora o prólogo)
2 - Eu necessito dar aos leitores uma certa quantidade de informação para que a história faça sentido? (Se a resposta é sim então considere criar um prólogo)
3 - Eu penso em usar o prólogo apenas para fisgar os leitores? (Se a resposta é sim pergunte-se se isso não pode ser feito de maneira efetiva no Capítulo 1)
Para ler todo seu texto (em inglês), clique aqui.
Uma das melhores maneiras de entender melhor o uso efetivo do prólogo é lendo prólogos de diferentes autores e obras e analisando os que funcionam e os que não funcionam e porque.
Até a próxima
Stanze
PS: Na semana passada o Inspiracionando não foi atualizado porque tive mais uma vez ilustres visitantes.
O prólogo pode ser usado quando há necessidade de uma explicação prévia. Por exemplo, se a história tem um enredo cuja essência trata de algo que teve seu início em outra época ou país, o prólogo pode ser usado para introduzir a história a partir desse ponto. Outra utilidade para o prólogo é introduzir um pedaço da narrativa que não se encaixa propriamente no enredo. E uma coisa interessante nos prólogos é que eles podem simplesmente desrespeitar a lei do Ponto de Vista. O prólogo pode ser escrito em um PdV completamente diferente do resto da narrativa.
Infelizmente nem todos os prólogos são bem utilizados e algumas vezes o autor usa como prólogo apenas um pedaço do próprio livro, palavra por palavra, como uma isca para atrair o leitor.
Mas, precisamos realmente de um prólogo ou tudo o que vamos contar pode ser encaixado diretamente no enredo? Marg McAlister, em um artigo no foremostpress.com, sugere que você faça as seguintes perguntas a si mesmo para saber se seu livro tem necessidade de um prólogo:
1 - O que acontece se eu chamar o Prólogo de Capítulo 1? A história fluirá suavemente a partir desse ponto? (Se a resposta foi sim então jogue fora o prólogo)
2 - Eu necessito dar aos leitores uma certa quantidade de informação para que a história faça sentido? (Se a resposta é sim então considere criar um prólogo)
3 - Eu penso em usar o prólogo apenas para fisgar os leitores? (Se a resposta é sim pergunte-se se isso não pode ser feito de maneira efetiva no Capítulo 1)
Para ler todo seu texto (em inglês), clique aqui.
Uma das melhores maneiras de entender melhor o uso efetivo do prólogo é lendo prólogos de diferentes autores e obras e analisando os que funcionam e os que não funcionam e porque.
Até a próxima
Stanze
PS: Na semana passada o Inspiracionando não foi atualizado porque tive mais uma vez ilustres visitantes.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
O que há em um Nome?
Inspirada em um texto que publiquei em meu outro blog http://daquiprai.wordpress.com/ resolvi conversar hoje sobre a importância (ou não) dos nomes dos personagens que criamos.
Se você é um devorador de livros como eu deve facilmente reconhecer alguns destes nomes: Scarlet O'Hara, Capitão Rodrigo, Heathcliff, Zorba, Dona Flor, etc. Esses personagens ficaram marcados em nossas memórias não somente pelo caráter que tinham, mas também pelo nome com o qual foram batizados pelo autor de suas histórias.
Nomes podem representar épocas, momentos históricos e regiões que se adequam ao seu personagem. Por exemplo, dificilmente um José de Ribamar será um personagem cujas raízes, se não o próprio nascimento, estejam ligados a outro local que não o Maranhão. Em outro conceito, um personagem chamado Elizabeth nos levaria a imaginar sua descendência britânica, talvez nos traga à mente atitudes refinadas ou quiçá um chá das cinco. Provavelmente um personagem norte-americano não se chamará Zé, a não que ser que ele seja um papagaio carioca!
Não quero aqui dizer que um autor não possa ser audacioso e criar nomes fora de época, local ou circunstância para seus personagens. Apenas deve-se lembrar que o leitor curiosamente se indagará o motivo dessa discrepância nominal. Esteja então como autor preparado para justificar o seu personagem nestes casos. E exatamente isso talvez faça dele um personagem memorável! Lembre-se: criatividade é importante mas credibilidade é a única regra que deve ser seguida.
Em Characters, Emotions and Viewpoints, Nancy Kress ressalta que a plausibilidade é essencial para dar crédito ao autor. Ela cita por exemplo que o Departamento Policial de Nova York é predominantemente composto de policiais descendentes de irlandeses, italianos, hispânicos e afro-americanos. Se você escrever um livro nessa área e nomear seus personagens todos com nomes russos levará o leitor (que conhecer a área, é lógico, mas jamais subestime o alcance dos seus livros ou o conhecimento de um leitor) a questionar o quanto você sabe do assunto sobre o qual escreve.
Nomes também podem repesentar traços físicos ou qualidades. Essa escolha nominal, presente em algumas obras mais antigas, é mais aceita hoje em dia somente em livros infantis, infanto-juvenis ou paródias. Por exemplo, Harry Potter tem companheiros de nomes marcantes (pelo menos no original em inglês), como Draco Malfoy, que lembra dragões e maldade; ou Luna Lovegood que via tudo com outros olhos.
Se sua história envolver vários personagens que contracenam frequemente, tome cuidado ao nominá-los. O leitor pode se confundir e cansar da história se tiver que ficar constantemente tentando lembrar quem é Elisa, Alícia ou Analicia.
Finalmente, existem personagens sem nome. Em The Mother (A Mãe), Pearl Buck, vencedor do Pullitzer e autor de A Boa Terra, não dá nome ao seu personagem principal. A história se passa na China, antes da Revolução de Mao e a mãe é simplesmente a mãe. Da mesma forma, as outras mulheres da história são também conhecidas como "a velha mulher" ou a "esposa do primo".
Para concluir, eis aqui alguns exercícios extraídos do livro So You Want to Write a Novel, de Lou Willett Stanek, que podem ajudá-lo(a) a pensar sobre nomes e a importância destes na vida de seu personagem:
- E se o seu personagem mudar para uma outra cidade e escolher um nome novo para si próprio?
- E se o pai de seu personagem resolveu chamá-la Stevie embora ela fosse uma menina?
- E se o bandido e o herói do seu livro possuem o mesmo nome?
- E se o seu personagem tem um nome que detesta?
Se você conhece alguns nomes interessantes e curiosos, divida conosco. Comente!
Até a próxima,
Stanze
Se você é um devorador de livros como eu deve facilmente reconhecer alguns destes nomes: Scarlet O'Hara, Capitão Rodrigo, Heathcliff, Zorba, Dona Flor, etc. Esses personagens ficaram marcados em nossas memórias não somente pelo caráter que tinham, mas também pelo nome com o qual foram batizados pelo autor de suas histórias.
Nomes podem representar épocas, momentos históricos e regiões que se adequam ao seu personagem. Por exemplo, dificilmente um José de Ribamar será um personagem cujas raízes, se não o próprio nascimento, estejam ligados a outro local que não o Maranhão. Em outro conceito, um personagem chamado Elizabeth nos levaria a imaginar sua descendência britânica, talvez nos traga à mente atitudes refinadas ou quiçá um chá das cinco. Provavelmente um personagem norte-americano não se chamará Zé, a não que ser que ele seja um papagaio carioca!
Não quero aqui dizer que um autor não possa ser audacioso e criar nomes fora de época, local ou circunstância para seus personagens. Apenas deve-se lembrar que o leitor curiosamente se indagará o motivo dessa discrepância nominal. Esteja então como autor preparado para justificar o seu personagem nestes casos. E exatamente isso talvez faça dele um personagem memorável! Lembre-se: criatividade é importante mas credibilidade é a única regra que deve ser seguida.
Em Characters, Emotions and Viewpoints, Nancy Kress ressalta que a plausibilidade é essencial para dar crédito ao autor. Ela cita por exemplo que o Departamento Policial de Nova York é predominantemente composto de policiais descendentes de irlandeses, italianos, hispânicos e afro-americanos. Se você escrever um livro nessa área e nomear seus personagens todos com nomes russos levará o leitor (que conhecer a área, é lógico, mas jamais subestime o alcance dos seus livros ou o conhecimento de um leitor) a questionar o quanto você sabe do assunto sobre o qual escreve.
Nomes também podem repesentar traços físicos ou qualidades. Essa escolha nominal, presente em algumas obras mais antigas, é mais aceita hoje em dia somente em livros infantis, infanto-juvenis ou paródias. Por exemplo, Harry Potter tem companheiros de nomes marcantes (pelo menos no original em inglês), como Draco Malfoy, que lembra dragões e maldade; ou Luna Lovegood que via tudo com outros olhos.
Se sua história envolver vários personagens que contracenam frequemente, tome cuidado ao nominá-los. O leitor pode se confundir e cansar da história se tiver que ficar constantemente tentando lembrar quem é Elisa, Alícia ou Analicia.
Finalmente, existem personagens sem nome. Em The Mother (A Mãe), Pearl Buck, vencedor do Pullitzer e autor de A Boa Terra, não dá nome ao seu personagem principal. A história se passa na China, antes da Revolução de Mao e a mãe é simplesmente a mãe. Da mesma forma, as outras mulheres da história são também conhecidas como "a velha mulher" ou a "esposa do primo".
Para concluir, eis aqui alguns exercícios extraídos do livro So You Want to Write a Novel, de Lou Willett Stanek, que podem ajudá-lo(a) a pensar sobre nomes e a importância destes na vida de seu personagem:
- E se o seu personagem mudar para uma outra cidade e escolher um nome novo para si próprio?
- E se o pai de seu personagem resolveu chamá-la Stevie embora ela fosse uma menina?
- E se o bandido e o herói do seu livro possuem o mesmo nome?
- E se o seu personagem tem um nome que detesta?
Se você conhece alguns nomes interessantes e curiosos, divida conosco. Comente!
Até a próxima,
Stanze
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Espelho, espelho meu...
...existe alguém mais completo do que eu?
O meu pai possuía um sapato que ele dizia ser de cromo alemão e pelo qual tinha um misto de respeito e orgulho. Esse sapato era usado em todas as ocasiões importantes de sua vida e era algumas vezes motivo de discussão entre ele e minha mãe, que preferia que meu pai usasse algo mais novo, ao que ele retrucava dizendo que aquele era de cromo alemão e, portanto, inigualável e insubstituível.
Desse fato posso constatar que meu pai era conservador e tradicionalista, além de amante das coisas boas. Da mesma forma passamos para os leitores algumas características internas dos nossos personagens através de sua aparência exterior.
Já comentei em artigos anteriores sobre a importância de se conhecer os nossos personagens. Hoje quero dividir alguns exercícios e idéias sobre a apresentação física desses personagens dos nossos contos e histórias. Como escrevi, e é sabido por todos, um personagem é alguém que conhecemos bem, às vezes a fundo, às vezes superficialmente, em casos de personagens secundários. Nem tudo que sabemos sobre eles precisa ser trazido à tona em um romance, mas é necessário que nós autores o conheçamos bem.
Uma das técnicas existentes para que se tenha sempre em mente alguns aspectos essenciais dos nossos personagens é o que em inglês chamamos de "character's bio", ou seja, uma espécie de ficha contando dados e fatos sobre seu personagem.
Hoje vou considerar neste artigo somente a descrição física e roupas. Quando você cria um personagem para a sua história ele deve ser consequente com o enredo. Imaginem por exemplo uma história em 2010 sobre um veterano da II Guerra Mundial que o descreva como tendo cabelos loiros, porte esbelto e atlético, etc... esse veterano tem no mínimo uns 80 anos. Espera-se pelo menos rugas, cabelos brancos, andar pausado, talvez meio curvado. A não ser que você esteja escrevendo uma história de ficção científica e o seu personagem é um viajante do tempo ou encontrou a Fonte da Juventude não dá para encarar o esbelto de cabelos loiros como um veterano da II Guerra em 2010!
Para criar a sua ficha você pode simplesmente imaginar os detalhes que quiser ou copiar alguma ou várias pessoas. Um exercício interessante é sentar numa praça, bar ou café, com seu caderninho de anotações e observar. Olhe as pessoas que passam ou que estão no mesmo local. Como elas estão vestidas? Como elas se parecem? Têm algum tique, alguma mania? Têm algum defeito físico? O modo como andam demonstra segurança, timidez? A roupa que vestem é sóbria, audaciosa, na moda ou tradicional? Anote tudo que achar interessante e depois componha um personagem com esses dados.
Sua ficha pode parecer assim:
Nome:
Sexo:
Idade:
Altura e Peso:
Cabelo:
Rosto:
etc,etc,etc...
e também,
Nos finais de semana ele/a gosta de vestir:
Em casa ele/a prefere usar:
Sapatos velhos são algo que ele/a ama/detesta/usa porque não tem opção:
etc,etc,etc...
Agora vamos apresentar esse personagem ao mundo. Hoje em dia, com a dinâmica das coisas, televisão, internet, torpedos, celular, etc, o leitor atual não gosta de muitas descrições e detalhes. Depois, uma das regras básicas da literatura é: MOSTRE, NÃO CONTE. Por isso, seja imaginativo ao apresentar seu personagem à sociedade.
Compare estes exemplos:
Exemplo 1: descrição direta
João era gordo e tinha olhos melancólicos.
Exemplo 2: descrição indireta
João acomodou-se no banco do ônibus como pôde. Não estava confortável e sentia que metade de seu corpo espremia o seu vizinho. Olhou melancolicamente como se se desculpando pelo incômodo que causava.
Exemplo 3: descrição indireta por terceiros
Miguel espremeu-se o mais que pôde na direção da janela. Aquele homem ocupava o banco inteiro e avançava para o seu espaço. Olhou-o com uma leve irritação, mas seus olhos tristes lhe sustaram as palavras. "Eu posso resistir um momento, enquanto esse homem tem que conviver com situações como essa o tempo todo", pensou, virando o rosto para a janela.
O que lhe parece melhor como leitor? Nos exemplos 2 e 3 não usei a palavra "gordo" que é a característica principal de João, mas ficou claramente demonstrado que ele se tratava de uma pessoa grande e, pela reação causado no personagem do número 3, está óbvio que se trata de uma pessoa volumosa.
E assim também se trabalham as roupas dos personagens. O guarda-roupa é uma fonte de características e qualidades a serem desenvolvidas e exploradas. Dê uma olhada em seu próprio guarda-roupa e veja o que as suas roupas e acessórios lhe dizem sobre sua própria personalidade. Imagine roupas e vista seus personagens com elas. Veja como eles se parecem. Troque as roupas e veja o que cai melhor. Imagine-se numa boutique variada em que todo um guarda-roupa se encontra à sua disposição: roupas antigas, roupas exóticas, extravagantes, conservadoras, futurísticas. Viaje nesse desfile e dê vida a seus personagens.
Só um detalhe tem que ser observado: nada de exageros. Lembre-se que seu personagem é uma pessoa real e, por mais exótica que ele seja, tem que ser consistente e realista para que o leitor se identifique e viva intensamente sua história.
Até a próxima,
Stanze
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sexta-feira, 19 de março de 2010
O Personagem é um Ser 3D
Hoje quando escolhi o título para este artigo comentei com uma amiga e a resposta foi: "acuma?" Mas é isso mesmo. Nos acostumamos a pensar nos personagens que criamos como seres de uma única dimensão: a do papel. Ou, no máximo, duas dimensões: o que criamos e o que o leitor interpreta.
Existem com certeza personagens de uma ou duas dimensões. Personagens que são tão óbvios e sem aprofundamento que não conseguimos nos envolver com eles. E outros, cujos caracteres não possuem uma constância lógica, que nos deixam sem saber onde suas histórias nos estão levando.
Um personagem completo deve ter três dimensões para nos deixar com aquela sensação de perder um amigo na última página do livro.
A primeira dimensão é aquilo que se vê externamente, os traços físicos do personagem. Não é necessário que o leitor saiba como ele é, da ponta dos cabelos à unha do pé, mas é preciso sim que o autor o conheça bem.
A segunda dimensão se refere ao passado do personagem, tudo aquilo que o tornou a pessoa (ou personagem) que é. De vez em quando numa obra literária o leitor descobre um pouco desse passado, através de lembranças ou histórias contadas por outros personagens. Nem sempre, entretanto, é preciso que o leitor conheça esse passado, mas o autor tem que saber a história do seu personagem desde que ele nasceu, ou pelo menos, bem perto disso. Desse conhecimento é que o autor molda o caráter do seu personagem, suas qualidades, defeitos, vícios, medos, etc.
A terceira dimensão é aquela do ponto de vista do personagem, como ele vê o mundo que foi criado para ele, como reage e age, como se expressa, como vive sua própria história.
Um personagem com essas três dimensões tem vida, participa da história e torna-se, junto com o autor, co-criador de uma fantástica obra literária.
Até a próxima
Stanze
Existem com certeza personagens de uma ou duas dimensões. Personagens que são tão óbvios e sem aprofundamento que não conseguimos nos envolver com eles. E outros, cujos caracteres não possuem uma constância lógica, que nos deixam sem saber onde suas histórias nos estão levando.
Um personagem completo deve ter três dimensões para nos deixar com aquela sensação de perder um amigo na última página do livro.
A primeira dimensão é aquilo que se vê externamente, os traços físicos do personagem. Não é necessário que o leitor saiba como ele é, da ponta dos cabelos à unha do pé, mas é preciso sim que o autor o conheça bem.
A segunda dimensão se refere ao passado do personagem, tudo aquilo que o tornou a pessoa (ou personagem) que é. De vez em quando numa obra literária o leitor descobre um pouco desse passado, através de lembranças ou histórias contadas por outros personagens. Nem sempre, entretanto, é preciso que o leitor conheça esse passado, mas o autor tem que saber a história do seu personagem desde que ele nasceu, ou pelo menos, bem perto disso. Desse conhecimento é que o autor molda o caráter do seu personagem, suas qualidades, defeitos, vícios, medos, etc.
A terceira dimensão é aquela do ponto de vista do personagem, como ele vê o mundo que foi criado para ele, como reage e age, como se expressa, como vive sua própria história.
Um personagem com essas três dimensões tem vida, participa da história e torna-se, junto com o autor, co-criador de uma fantástica obra literária.
Até a próxima
Stanze
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