O Inspiracionando estará de férias por algumas semanas. Estarei de volta na primeira semana de Novembro. Aproveitem para ler bastante e escrever com emoção e afinco. Voltarei com bastante inspiração e novidades!
Até a volta,
Stanze
sábado, 4 de setembro de 2010
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Tempo limite: uma idéia inspiradora
Trabalhar com limites de tempo muitas vezes é um ótimo instrumento para treinar a nossa mente para a criatividade espontânea. Às vezes, quando temos muito tempo para fazer algo, postergamos a tarefa para o último minuto e acabamos por ter um resultado insatisfatório.
Escrever é um processo. Muitas vezes temos o dom, mas somente a prática leva à perfeição. E a prática necessita de um estímulo. Esse estímulo pode ser visual, olfativo, auditivo, sensitivo ou, como no meu caso, limitativo. Quando tenho um limite certo e curto para realizar algo, a coisa flui com mais energia e força.
Para demonstrar na prática o que estou falando, participei uma vez de um concurso on-line que nos dava uma imagem e 15 minutos para criar algo em cima daquilo. De um desses exercícios saiu o pequeno conto que transcrevo abaixo. A imagem era de um pescador sentado à beira de um lago azul e sereno. Chamei o texto de Pescador:
"Lá está ele novamente. Semana após semana ele vem e com aquela vara longa tenta me pegar. Eu sei que é comigo porque eu vi nos seus olhos, por baixo do boné que ele usa. Ele é chamado de pescador. Eu o chamo de Deus. Ele tem o poder da vida e da morte, por isso que lhe dei esse nome.
Mesmo assim, ele é bom. Eu já vi alguns maus vindo com redes grandes e levando as crianças e as senhoras sem nenhum discernimento. Mas este aqui não é assim. Ele se parece um pouco com Aquele que veio há séculos atrás. Eu li sobre Ele no Livro dos Peixes. Ele era poderoso e nosso povo pulava nos barcos ou aparecia do nada somente com um comando Dele. Ele também era um pescador. Mas Ele era um pescador de homens e almas.
Uma vez eu vi este aqui devolver um peixinho ao mar. Era uma sardinha que não acreditou nas palavras sábias dos velhos peixes e comeu aquele pedaço de carne pendurado da vara do pescador. Então o Deus o pegou cuidadosamente e exercendo seus poderes de perdão retornou-o ao mar. Eu fiquei surpreso com isso e daquele dia em diante o pescador ganhou minha admiração.
Até o dia em que o vi pegando o Bolhas Velhas e não o devolvendo. Ao invés, Bolhas Velhas foi parar em uma cesta e nunca mais o vimos. Foi horrível. Passei dias e dias pensando sobre aquilo e finalmente desisti e perguntei ao Sr. Tubarão porque o pescador havia agido daquela forma. Ele então me disse que foi o Bolhas Velhas que havia escolhido aquela maneira de ir. "Este é boa pessoa", disse-me o Sr. Tubarão, "o Bolhas Velhas terá um ótimo lugar no Paraíso dos Peixes."
Toda semana ele vem e toda semana eu estou aqui à espera dele. Ainda não é tempo. Eu sei disso e ele também o sabe. Ele vai jogar a linha e esperar. Ele sabe que eu o estou observando. Ainda sou jovem e ele também o é. Ambos temos paciência."
Quando trabalhamos com tempo limite, nem sempre conseguimos algo satisfatório na primeira vez. Talvez nem na segunda ou na terceira, ou nem sempre, mas com certeza treinamos o nosso cérebro a criar com rapidez e criatividade. Experimente, vale a pena.
Até a próxima,
Stanze
Escrever é um processo. Muitas vezes temos o dom, mas somente a prática leva à perfeição. E a prática necessita de um estímulo. Esse estímulo pode ser visual, olfativo, auditivo, sensitivo ou, como no meu caso, limitativo. Quando tenho um limite certo e curto para realizar algo, a coisa flui com mais energia e força.
Para demonstrar na prática o que estou falando, participei uma vez de um concurso on-line que nos dava uma imagem e 15 minutos para criar algo em cima daquilo. De um desses exercícios saiu o pequeno conto que transcrevo abaixo. A imagem era de um pescador sentado à beira de um lago azul e sereno. Chamei o texto de Pescador:
"Lá está ele novamente. Semana após semana ele vem e com aquela vara longa tenta me pegar. Eu sei que é comigo porque eu vi nos seus olhos, por baixo do boné que ele usa. Ele é chamado de pescador. Eu o chamo de Deus. Ele tem o poder da vida e da morte, por isso que lhe dei esse nome.
Mesmo assim, ele é bom. Eu já vi alguns maus vindo com redes grandes e levando as crianças e as senhoras sem nenhum discernimento. Mas este aqui não é assim. Ele se parece um pouco com Aquele que veio há séculos atrás. Eu li sobre Ele no Livro dos Peixes. Ele era poderoso e nosso povo pulava nos barcos ou aparecia do nada somente com um comando Dele. Ele também era um pescador. Mas Ele era um pescador de homens e almas.
Uma vez eu vi este aqui devolver um peixinho ao mar. Era uma sardinha que não acreditou nas palavras sábias dos velhos peixes e comeu aquele pedaço de carne pendurado da vara do pescador. Então o Deus o pegou cuidadosamente e exercendo seus poderes de perdão retornou-o ao mar. Eu fiquei surpreso com isso e daquele dia em diante o pescador ganhou minha admiração.
Até o dia em que o vi pegando o Bolhas Velhas e não o devolvendo. Ao invés, Bolhas Velhas foi parar em uma cesta e nunca mais o vimos. Foi horrível. Passei dias e dias pensando sobre aquilo e finalmente desisti e perguntei ao Sr. Tubarão porque o pescador havia agido daquela forma. Ele então me disse que foi o Bolhas Velhas que havia escolhido aquela maneira de ir. "Este é boa pessoa", disse-me o Sr. Tubarão, "o Bolhas Velhas terá um ótimo lugar no Paraíso dos Peixes."
Toda semana ele vem e toda semana eu estou aqui à espera dele. Ainda não é tempo. Eu sei disso e ele também o sabe. Ele vai jogar a linha e esperar. Ele sabe que eu o estou observando. Ainda sou jovem e ele também o é. Ambos temos paciência."
Quando trabalhamos com tempo limite, nem sempre conseguimos algo satisfatório na primeira vez. Talvez nem na segunda ou na terceira, ou nem sempre, mas com certeza treinamos o nosso cérebro a criar com rapidez e criatividade. Experimente, vale a pena.
Até a próxima,
Stanze
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
O gênio da criatividade
Hoje deixo o Inspiracionando nas mãos (ou palavras) de Elizabeth Gilbert, autora do mega sucesso Eat, Pray, Love (Coma, Reze, Ame). A escritora fala sobre a genialidade e a pressão que existe nas pessoas criativas a manterem sempre o sucesso alcançado.
Elizabeth tem um humor fino e levanta pontos interessantes (com opção de legendas em português - clique em view subtitles e escolha português). Aproveite e deixe seu gênio chegar!
Até a próxima!
Stanze
Elizabeth tem um humor fino e levanta pontos interessantes (com opção de legendas em português - clique em view subtitles e escolha português). Aproveite e deixe seu gênio chegar!
Até a próxima!
Stanze
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Nuvens de palavras
Procurando uma matéria para escrever o artigo de hoje, achei no blog de uma amiga e professora de literatura norte-americana um link para o Wordle. O Wordle é um instrumento acessível on line e de graça que permite gerar "nuvens de palavras" extraídas de textos. Você pode inserir textos próprios, textos de um site ou até mesmo um nome de conta do del.icio.us e o programa destacará as palavras mais proeminentes formando um design que pode ser adaptado e redesenhado pelo usuário.
E qual a vantagem de tal instrumento? Além do visual interessante o Wordle pode facilmente servir de inspiração para a criação de novos projetos. Do destaque dado às conhecidas palavras uma nova e diferente idéia pode surgir. E que tal experimentar uma obra em conjunto? Junte vários textos, escritos por diferentes pessoas e, a partir das palavras em destaque, crie algo novo.
Com tudo que escrevi acima criei este Wordle:
Se quiserem tentar é super divertido. Liberem a imaginação e brinquem com as palavras no Wordle .
Até a próxima,
Stanze
E qual a vantagem de tal instrumento? Além do visual interessante o Wordle pode facilmente servir de inspiração para a criação de novos projetos. Do destaque dado às conhecidas palavras uma nova e diferente idéia pode surgir. E que tal experimentar uma obra em conjunto? Junte vários textos, escritos por diferentes pessoas e, a partir das palavras em destaque, crie algo novo.
Com tudo que escrevi acima criei este Wordle:
Se quiserem tentar é super divertido. Liberem a imaginação e brinquem com as palavras no Wordle .
Até a próxima,
Stanze
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Círculo do Livro
Estou lendo esta semana um dos milhares de livros que adquiri através do antigo (e extinto) Círculo do Livro. O livro se chama Médicos em Perigo de Frang G. Slaughter. A história conta a trajetória de um médico recém-formado, com experiência em microcirurgia, que é convidado a fazer parte de uma clínica especializada e que possui clientes de elite. O romance lida com ética, ambição e drogas. Ainda estou na metade do livro mas até agora é interessante.
Pegando o livro nas mãos e apreciando a capa dura, o design e a qualidade do papel resolvi dedicar este texto de hoje ao Círculo do Livro.
O Círculo do Livro, para os que não o conheceram, era uma editora e clube literário que distribuía a seus sócios, a cada 3 meses, um catálogo com todas as publicações em oferta, a preços super acessíveis. O sócio tinha como única obrigação pedir pelo menos um livro nesse período.
Eu me lembro com muita saudade do prazer que eu, minha tia, minha avó e meu pai tínhamos ao folhear a revista e marcar com cruzes, quadrados, iniciais, os livros que iríamos pedir. Grande também era a expectativa de esperar pelos correios aquele pacote cheio de mundos novos, misteriosos, engraçados, intrigantes, que chegava até nós. Sortudo era quem estava em casa nessa hora e abria o pacote em primeira mão, recebendo a tarefa de distribuir os livros a seus respectivos donos.
O Círculo do Livro era uma maneira fantástica de estimular a leitura e, de certa forma, "obrigar" as pessoas a lerem. É óbvio que atualmente existem clubes dos livros, catálogos, livros com preços acessíveis, mas acredito que a "obrigação" de comprar um livro fazia com que a leitura se tornasse - de forma saudável - também obrigatória.
Eis aqui imagens de alguns dos livros que adquiri através do Círculo:
E vocês, também têm livros e saudades do Círculo?
Até a próxima,
Stanze
Pegando o livro nas mãos e apreciando a capa dura, o design e a qualidade do papel resolvi dedicar este texto de hoje ao Círculo do Livro.
O Círculo do Livro, para os que não o conheceram, era uma editora e clube literário que distribuía a seus sócios, a cada 3 meses, um catálogo com todas as publicações em oferta, a preços super acessíveis. O sócio tinha como única obrigação pedir pelo menos um livro nesse período.
Eu me lembro com muita saudade do prazer que eu, minha tia, minha avó e meu pai tínhamos ao folhear a revista e marcar com cruzes, quadrados, iniciais, os livros que iríamos pedir. Grande também era a expectativa de esperar pelos correios aquele pacote cheio de mundos novos, misteriosos, engraçados, intrigantes, que chegava até nós. Sortudo era quem estava em casa nessa hora e abria o pacote em primeira mão, recebendo a tarefa de distribuir os livros a seus respectivos donos.
O Círculo do Livro era uma maneira fantástica de estimular a leitura e, de certa forma, "obrigar" as pessoas a lerem. É óbvio que atualmente existem clubes dos livros, catálogos, livros com preços acessíveis, mas acredito que a "obrigação" de comprar um livro fazia com que a leitura se tornasse - de forma saudável - também obrigatória.
Eis aqui imagens de alguns dos livros que adquiri através do Círculo:
Até a próxima,
Stanze
domingo, 1 de agosto de 2010
6 Quilômetros de Livros
Esta semana deixei propositadamente de escrever o Inspiracionando na sexta para escrevê-lo hoje, após minha visita à feira de livros de Deventer, a maior da Europa!
A minha aventura começou às 10:00 da manhã ao pegar um trem lotado em um Domingo ensolarado. Só isso já dá uma idéia do quanto a feira e os livros atraem as pessoas. Fico feliz. Há gente de todas as idades, algumas com sacolas e outras com malas que voltarão para casa cheias de livros.
Além da feira, a cidade de Deventer também atrai por suas construções bem trabalhadas.
Em 6 quilômetros de cidade, à beira do rio, estendiam-se 878 estandes de livros dos mais variados, de revistas em quadrinhos a livros de bolso, de romances da Barbara Cartland a clássicos antiquíssimos (inclusive alguns livros raros do século XIX). Os preços variavam de 1 euro por livro a até mais de 300 euros, no caso dos bem antigos e raros.
Fora livros, havia também estandes mostrando várias técnicas diferentes de encadernação manual de livros e alguns móveis e utensílios de escrita, como este aqui abaixo:
Passei cinco horas na minha maratona literária e voltei para casa com uma sacola cheia. Agora vou curtir os meus livros.
Até a próxima
Stanze
A minha aventura começou às 10:00 da manhã ao pegar um trem lotado em um Domingo ensolarado. Só isso já dá uma idéia do quanto a feira e os livros atraem as pessoas. Fico feliz. Há gente de todas as idades, algumas com sacolas e outras com malas que voltarão para casa cheias de livros.
| Chegada à estação de Deventer |
| A "trilha do ouro" era indicada por placas |
Além da feira, a cidade de Deventer também atrai por suas construções bem trabalhadas.
Em 6 quilômetros de cidade, à beira do rio, estendiam-se 878 estandes de livros dos mais variados, de revistas em quadrinhos a livros de bolso, de romances da Barbara Cartland a clássicos antiquíssimos (inclusive alguns livros raros do século XIX). Os preços variavam de 1 euro por livro a até mais de 300 euros, no caso dos bem antigos e raros.
Fora livros, havia também estandes mostrando várias técnicas diferentes de encadernação manual de livros e alguns móveis e utensílios de escrita, como este aqui abaixo:
| Em cima do móvel há um globo com tinta e uma caneta tinteiro |
Passei cinco horas na minha maratona literária e voltei para casa com uma sacola cheia. Agora vou curtir os meus livros.
Até a próxima
Stanze
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Monólogo: um diálogo saci
Uma das forças de uma história são os diálogos entre os personagens. Através do diálogo exerce-se muito bem o preceito de "mostre, não conte", essencial para que uma história se torne viva e interessante. Sobre diálogos vou falar muito aqui, mas hoje vou tratar de uma peculiaridade desse instrumento, o diálogo de uma perna só, ou seja, o monólogo.
Conhecemos muito o monólogo de peças teatrais, principalmente aquelas em que o personagem divaga sobre sua própria personalidade, como Hamlet, de William Shakespeare, que, com uma caveira nas mãos, pergunta-se sobre "ser ou não ser". Os discursos também são monólogos e eu até chegaria a ousar e dizer que as longas descrições são uma espécie de monólogo do autor.
Em geral esse instrumento aparece muito em partes da narrativa e raras vezes constitui a única voz presente em toda a história. Dolores Claiborne, de Stephen King, é um dos livros que mais considero característico de um monólogo verdadeiro. Algumas pessoas poderiam afirmar que livros escritos em primeira pessoa poderiam também ser considerados monólogos. Eu porém vejo uma diferença: livros escritos em primeira pessoa narram em geral os fatos sem criar a voz do personagem que fala. Já os monólogos, como em Dolores possuem a voz própria do personagem que conta a história.
Uma das características de um monólogo bem escrito é de que, além de uma voz própria, ele tenha os elementos básicos de qualquer narrativa, ou seja, início, meio (ou clímax) e fim. Ele deve contar uma história (ou mini-história) em si.
E a última dica de hoje sobre monólogo vale para qualquer tipo de escrita que você quiser utilizar: pense na sua audiência e utilize o instrumento e a linguagem adequados para seus leitores.
Abaixo transcrevo um monólogo que escrevi como exercício. Na verdade o persongem conversa com uma pessoa que já faleceu e, por isso, o que seria um diálogo transcorre como um monólogo.
Stanze
Conhecemos muito o monólogo de peças teatrais, principalmente aquelas em que o personagem divaga sobre sua própria personalidade, como Hamlet, de William Shakespeare, que, com uma caveira nas mãos, pergunta-se sobre "ser ou não ser". Os discursos também são monólogos e eu até chegaria a ousar e dizer que as longas descrições são uma espécie de monólogo do autor.
Em geral esse instrumento aparece muito em partes da narrativa e raras vezes constitui a única voz presente em toda a história. Dolores Claiborne, de Stephen King, é um dos livros que mais considero característico de um monólogo verdadeiro. Algumas pessoas poderiam afirmar que livros escritos em primeira pessoa poderiam também ser considerados monólogos. Eu porém vejo uma diferença: livros escritos em primeira pessoa narram em geral os fatos sem criar a voz do personagem que fala. Já os monólogos, como em Dolores possuem a voz própria do personagem que conta a história.
Uma das características de um monólogo bem escrito é de que, além de uma voz própria, ele tenha os elementos básicos de qualquer narrativa, ou seja, início, meio (ou clímax) e fim. Ele deve contar uma história (ou mini-história) em si.
E a última dica de hoje sobre monólogo vale para qualquer tipo de escrita que você quiser utilizar: pense na sua audiência e utilize o instrumento e a linguagem adequados para seus leitores.
Abaixo transcrevo um monólogo que escrevi como exercício. Na verdade o persongem conversa com uma pessoa que já faleceu e, por isso, o que seria um diálogo transcorre como um monólogo.
UMA ROSA PARA ÂNGELA
(Stanze)
“Eu contei para Joana sobre nosso relacionamento. Ela merecia saber. Mas não se preocupe... eu mantive minha promessa. Ela não sabe que é nossa filha. De qualquer modo, não acho que isso faria bem a ela. Mas pelo menos ela pode compreender porque venho aqui todos os anos ... e também porque sua mãe ... desculpe, minha esposa... não gostava disso.
Eu também não aceitaria. Mas Carolina era uma pessoa maravilhosa.
Sim, eu voltei para ela como você me havia pedido, e ficamos juntos ... até sua morte. Na época eu tive medo da reação de Carolina mas, com Joana, eu tinha que tomar uma decisão mesmo que fosse contra o que meu coração pedia. Ela aceitou Joana como sua própria filha. Carolina me amava, você sabe...
Ela é linda ... a nossa filha ... igual a você.
Angela ... por que você teve que me deixar? Eu a odiei por isso. Você me deixou só no meio de uma guerra com um bebê nos braços mas, deixe pra lá... como eu poderia alguma vez odiá-la?
Sabe... eu entendo suas razões. Você estava certa. O bebê estaria melhor com um jornalista americano do que com uma guerrilheira da resistência.
A verdade é que eu fui um covarde. Por isso foi que eu nunca disse a verdade a Joana. Como eu poderia dizer a ela que um jornalista não foi capaz de encontrar sua mãe depois de janeiro de 1944? Carolina e Joana estavam se dando tão bem. Eu não podia destruir aquela harmonia. Eu fui um covarde... eu fui covarde até para, ao menos, tentar.
Sabe, vinte anos depois e eu ainda consigo falar italiano. Até ensinei algumas palavras a Joana.
Foi no topo desta montanha que nos encontramos pela primeira vez. Ainda me lembro da noite em que você me trouxe até aqui. Foi somente nessa ocasião que eu pude apreciar a beleza desta área... Vagliali a nossos pés ... a escuridão... e aqueles vagalumes por toda a parte como um tapete de estrelas estendido diante de nós. Naquela noite você me disse que jamais poderia deixar este local.
Eu lhe trouxe uma rosa… uma rosa amarela. Mas desta vez não é para você, Angela. É para sua prima.
Sim… eu descobri o seu pequeno segredo. Foi Maria quem morreu em seu lugar naquele dia. Ela não deveria estar lá. E sua identidade foi encontrada com ela.
Eu posso imaginar o quanto você deve ter sofrido. Vocês duas eram como irmãs. É óbvio que você tinha que usar a oportunidade. Maria gostaria de ajudar de qualquer modo. Você poderia desaparecer…e sobreviver à guerra…
É egoísmo meu, mas eu nunca pude lhe perdoar por não ter tentado entrar em contato comigo... ou com sua filha.
Então, há quatro anos atrás, a carta chegou. A carta anônima que dizia que você havia falecido e que estava enterrada aqui há muitos anos.
Foi um erro me mandar aquela carta, Angela. Dentro do meu coração eu sabia que você não estava morta. Mas eu lhe encontrarei. E então eu lhe darei a melhor rosa que eu jamais pude lhe dar... sua filha."
Até a próxima
Stanze
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