sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Um livro é uma paixão

Esta semana li um artigo interessante sobre o que leva as pessoas a escreverem um livro e o que deve ser considerado quando se parte para essa enorme - e desafiante - empreitada.

Algumas pessoas têm várias idéias e decidem fazer de cada uma um novo livro. O resultado final é somente uma série de livros inacabados. O processo de escrever um livro custa muito tempo e energia por isso é necessário observar algumas coisas.

Uma das mais importantes é escrever com paixão. Isso se obtém quando se escreve sobre aquilo de que se gosta, um assunto que nos atiça a curiosidade e que nos leva a passar horas e dias pensando, pesquisando e escrevendo sobre ele.

Se você possui várias idéias, experimente um pouco com elas antes de transformá-las em um livro. Pense nos motivos pelos quais elas apareceram na sua cabeça e lhe cativaram. Será que são estimuladas por uma moda passageira, como histórias de mágicos ou vampiros? Se esse for o motivo gerador de uma ou algumas das suas idéias, lembre-se que quando terminar a primeira versão do seu livro a moda já pode ser outra.

Para tentar definir melhor qual idéia pode ser frutífera, pense em algumas coisas:

Para qual público você quer escrever? Sabendo isso você cria um trabalho específico e dirigido.

A sua idéia é algo que já está saturado no mercado? Se sim, qual a diferença que você pode trazer na sua história que a tornará original e única? Pense em personagens, enredos, final, início, etc.

Crie alguns trechos ou um esquema da sua história antes de iniciar a tarefa de transformá-la em um livro. Lembre-se de ser flexível nesse processo: seus personagens podem se transformar, desaparecer ou até nascer nesse período, o enredo pode retorcer e virar uma coisa diferente.

Passe algum tempo com essa pequena idéia e veja como ela se comporta. Se após esse tempo ela continuar viva e crescer dentro de você, então ela tem todas as possibilidades de se tornar um livro, porque ela virou uma paixão!

Até a próxima,
Stanze

 

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Adeus Bonelli

Esta semana recebi a triste notícia do falecimento de um amigo, acima de tudo, e de um grande editor e escritor. Sergio Bonelli, dono e responsável principal pela SBE (Sergio Bonelli Editora) na Itália faleceu nesta segunda feira passada aos 79 anos bem vividos de idade.

A SBE se dedica aos quadrinhos e tem como carro chefe o personagem Tex Willer, criado pelo pai de Sérgio, e que ainda hoje é responsável pelo faturamento maior da editora.

Mas do punho de Sergio Bonelli, com o pseudônimo de Guido Nollita, surgiu Mister No, intrépido piloto norte americano que se auto segregou do mundo nas densas florestas da Amazônia brasileira. O espírito livre e aventureiro do personagem espelha a alma leve e carismática de seu criador.

Tive a oportunidade de conhecer pessoalmente esse fantástico homem que transformou personagens de quadrinhos em mitos, em criaturas quase vivas que nos acompanham como amigos queridos, como heróis idealizados e como exemplos de caráter.

O nosso adeus a Sérgio é um adeus relativo já que tudo que ele impulsionou ou criou se perpetua a cada dia, a cada mês e a cada momento em que alguém, em algum lugar do mundo, abre uma revista da SBE para ler e sonhar.

E neste momento de passagem, só posso deixar o meu obrigado muito grande a essa pessoa tão carismática que me fez viver momentos inesquecíveis em Milão, momentos mágicos e eternos em que, mais do que ele, me senti especial, pelo tratamento tão singular e único que recebi, pela sua companhia e conversa envolventes e fascinantes. Uma pessoa que tinha tanto a dizer mas se contentava em escutar, em dividir experiências e aventuras mas principalmente em fazer com que cada pessoa que estivesse em sua companhia se sentisse mais importante que ele mesmo.

Sem a tenacidade e inspiração de Sérgio Bonelli talvez eu nunca tivesse tido o prazer de conhecer os grandes  amigos e "irmãos" que fiz ao longo destes anos por causa de uma simples revista em quadrinhos.

OBRIGADA!

Nanda

 

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Literatura na casinha

Um dos lugares mais tranquilos que eu encontro para ter uma leitura sossegada é... a casinha! No toilete da minha casa há uma cesta com várias revistas diferentes para atender os gostos principalamente dos moradores, mas também de eventuais visitas.

Já vi a mesma estrutura na casa de vários amigos, inclusive na casa do meu irmão, onde a variedade de leitura vai de revistas infantis a revistas de noticiários e fofocas.

Reclama-se muito hoje em dia que os jovens pouco ou quase nada lêem. Na minha opinião, o que existe é pouco incentivo dos pais. Há muitas maneiras de se estimular a leitura desde a infância. Um amigo meu, além de comprar livros e revistas para suas filhas e ler com elas, encontrou uma maneira divertida e original para desenvolver não só nelas, mas em toda a família, o prazer da leitura. A cada semana ele seleciona artigos interessantes e educativos de jornais e prega no banheiro com fita adesiva. Recentemente eu soube que há espaço também para quebra-cabeças e palavras cruzadas que são completados gradativamente por quem frequenta a "casinha".

E, para estimular ainda mais a compreensão, o diálogo, a capacidade cognitiva e o entretenimento que a leitura traz, uma caneta está disponível para que as pessoas comentem sobre os artigos e gerem discussões e reações dos próximos frequentadores.

Há sempre uma maneira de estimular a leitura. E, quanto mais cedo ela começa, melhor!

E na sua "casinha" também há um espaço literário?

Até a próxima,
Stanze

sábado, 20 de agosto de 2011

Férias

Olá todos

O Inspiracionando vai entrar de férias até o dia 09 de setembro 2011.

Até a volta,
Stanze

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O Diário de um Escritor

Parece estereótipo, nem todos o usam, mas muitos escritores - inclusive eu - carregam sempre consigo um pequeno caderno ou bloco de anotações, o salvador diário.

Vários de nós - principalmente as meninas - passaram pela adolescência escrevendo diários onde, além dos acontecimentos do dia a dia, eram registradas as emoções flutuantes de um adolescente. Diários de capas floridas, diários com chaves que guardavam segredos irreveláveis, diários de capa discreta ou com fotos de artistas. Ali as primeiras sensações do mundo eram escritas. Ali se criavam personalidades, histórias e se desenvolviam emoções.

O diário de um escritor não varia muito de um diário de adolescente. A grande diferença é que o escritor, além das emoções, também usa o diário para registrar fatos e observar o mundo à sua volta. O meu diário tem de tudo: corriqueiras descrições de passageiros em um trem, detalhes sobre um dia de sol ou de chuva, pedaços de diálogos ou trechos de uma cena desenvolvidos durante um passeio, viagem ou deslocamento ao trabalho. Algumas vezes guardo fotos ou cartões postais ou artigos de jornais ou revistas que possam servir, em algum momento, de inspiração .

Reler páginas de diários antigos é sempre uma fonte saciadora no deserto das palavras e ter às mãos um diário vira um hábito rotineiro na vida de um caçador de histórias.

Até a próxima
Stanze

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Sweep - Zoom in e Zoom out

Esta semana li um artigo interessante em um jornal online de literatura. O autor discorria sobre contos e demonstrava a utilização da técnica do sweep.

O termo sweep, em inglês, significa, entre outras coisas, uma dimensão mais larga e abrangente. Nos contos o autor não tem espaço para trabalhar exaustivamente um personagem ou um tema. O foco tem que ser preciso e imediato. Quanto mais curta a história, mais rápido o leitor tem que conhecer o enredo, o papel do personagem principal e o que ele deseja.

A técnica do sweep dá a oportunidade ao escritor de acrescentar em poucas linhas essa dimensão e profundidade que o personagem ou a história necessitam. Em um simples parágrafo o leitor pode conhecer o que realmente está por trás daquele enredo e o impacto que isso causa na história e no personagem.

Um exemplo prático seria uma história que envolve um ritual indígena. Digamos que um certo artefato seja usado nesse ritual. O autor poderia em um parágrafo usar um sweep para explicar a importância desse artefato para os indígenas e como ele tem sido usado de geração em geração, adicionando a visão da cultura nativa. Depois, ele retorna novamente para a história atual. O escritor aproveitou para criar uma dimensionalidade àquele enredo que fará com que o leitor compartilhe de forma mais profunda a experiência do personagem naquele momento.

O sweep pode ser praticamente visualizado como um zoom. No momento em que ele acontece o escritor dá um zoom out, ou seja, afasta a cena e traz a câmera para abranger o cenário como um todo. Retornando à história ele faz um zoom in, focando o enredo principal.

O sweep pode acontecer em qualquer momento da narrativa, tanto no começo quanto no meio. O importante, entretanto, é observar a sua introdução e saída. Quando no começo do conto o cuidado com a introdução não é tão essencial, mas, se ocorre no meio, o sweep tem que ser escrito de modo a fazer parte da história. Um dos maiores riscos de usar essa técnica é o perigo da divagação e generalização, incorrendo em distanciamento do enredo principal.

Criando aqui um exemplo rude da cena do ritual indígena um sweep seria algo assim:

"O cacique Capixaba se aproximou da cuia ritual, enquanto era observado pelos outros guerreiros dispostos ao seu redor.


Para os índios guajajaras aquela cuia representava a união dos deuses da floresta e dos céus. A água da chuva que era colhida nela representava a bênção dada por Huimatã. A cuia ficava sempre no centro da aldeia e quando transbordava, suas águas eram acolhidas pela Mãe Terra, consumando a junção dos deuses. Era então o momento da caça, da pesca e da colheita, todos abençoados por aquela união divina. A cuia era, para aqueles índios, um símbolo sagrado passado de geração a geração.


Capixaba pegou a cuia com as mãos e elevou-a aos céus."

Como falei acima esse texto é só um exemplo a grosso modo da técnica do sweep. O que vai acontecer com a cuia adquire uma importância bem mais impactante quando o leitor sabe que aquele objeto faz parte de uma cultura e tradição enraizadas. O sweep engrandece o conto em poucas palavras.

Até a próxima
Stanze

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Bem vindo ao mundo dos clichês

Quase todo mundo sabe o que é clichê na literatura: frases que de tão repetidas já as conhecemos de cor. E não há nada mais anti-criativo do que usá-las em uma obra de arte.  A palavra clichê se origina do francês e significa uma peça para impressão em série.

Em sua expressão primeira a frase clichê foi uma explosão de criatividade. Seu uso demasiado fez com que perdesse a originalidade e se tornasse simplesmente "clichê". Salvador Dali resume de maneira inteligente essa idéia: "O primeiro homem a comparar as bochechas de uma jovem mulher com uma rosa foi obviamente um poeta; o primeiro que repetiu essa comparação foi provavelmente um idiota".

Não existem somente frases clichês, há também atitudes, modismos e, principalmente personagens clichês. 

J.V.Jones, escritora de ficção, no livro "The Complete Handbook of Novel Writing" menciona vários personagens clichês que qualquer autor de bom senso deveria evitar. Infelizmente esses personagens continuam aparecendo em vários romances pelas prateleiras das livrarias.

Eis aqui uma interessante lista de personagens clichês:
  • O líder religioso de sangue quente determinado a destruir qualquer idéia nova;
  • O chefe mau de uma mega companhia que não se importa com o meio ambiente, seus empregados ou os habitantes de sistema solar mais próximo;
  • O cientista que não consegue ver o perigo que seu projeto representa;
  • O bravo, porém misterioso, aventureiro que no final é um nobre há muito tempo considerado desaparecido;
  • O visitante mal compreendido que necessita de ajuda para retornar para casa;
  • O líder militar sanguinário para quem os fins justificam os meios;
  • A figura autoritária especialmente estúpida que recusa qualquer opinião que não seja a dela própria e que por isso se torna responsável por todos os problemas da história;
  • O rei ou líder bonzinho mas sem cérebro que só ouve criaturas autoritárias estúpidas;
  • O nobre malvado que exala somente maldade;
  • O irmão mais novo que tem um bom coração e sabe o que é certo mas é sempre mal compreendido;
  • Qualquer um tremendamente bonito
E, para finalizar, algumas frases e expressões clichês bem conhecidas:
  • Não deixe para depois o que pode fazer hoje 
  • Selva de pedra
  • Não há lugar melhor que a casa da gente
  • Brincadeira de criança
  • Chovem gatos e cachorros
Evitar clichês é algo que todo autor tenta fazer em seu trabalho, entretanto, usar o clichê para criar um personagem com uma característica atípica é uma forma interessante de transformar o lugar comum em algo bem especial.

Até a próxima
Stanze